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September 9, 2026
Clima

Plano de energia do Brasil prevê 80% dos investimentos em petróleo e gás e aumento das emissões – ClimaInfo

  • Setembro 9, 2026
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Plano de energia do Brasil prevê 80% dos investimentos em petróleo e gás e aumento das emissões – ClimaInfo

8 de setembro de 2026

excedente de petróleo
Imagem por MODEC via Agência Petrobras

Resumo

  • PDE 2035 prevê 80% dos investimentos energéticos em petróleo e gás: análise do Observatório do Clima mostra que, dos R$ 3,5 trilhões previstos no Plano Decenal de Energia, R$ 2,8 trilhões vão para petróleo e gás natural, enquanto a fatia das renováveis na matriz deve permanecer estável. Para o OC, isso caracteriza uma “adição energética”, não uma transição.
  • Termelétricas a combustíveis fósseis contribuem para ampliar as emissões do setor energético: o PDE prevê 26,3 GW de expansão em térmicas não renováveis, dos quais quase 19 GW a gás, além de usinas a carvão. O resultado é um aumento de 18% nas emissões do setor energético brasileiro, mesmo mantendo a participação atual das renováveis na matriz energética.
  • Prejuízo bilionário com petróleo na Foz do Amazonas: segundo análise de custo-benefício do WWF-Brasil, explorar petróleo na Foz do Amazonas pode gerar prejuízo social de R$ 22,2 bilhões, enquanto investir em renováveis traria benefício líquido de R$ 24,8 bilhões — um custo de oportunidade de R$ 47 bilhões.
  • O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) confirmou o que cientistas já dizem há tempos: estamos perto de ultrapassar o limite de 1,5°C de aumento da temperatura em relação aos níveis pré-industriais estabelecido no Acordo de Paris. A principal ação para sairmos do chamado overshoot é reduzir drasticamente a queima de combustíveis fósseis, acelerando a transição para fontes renováveis de energia. Mas, se depender dos planos energéticos do Brasil, será uma missão impossível.

    É o que demonstra uma análise do Observatório do Clima (OC) sobre o Plano Decenal de Energia (PDE) 2035, documento de mais de 600 páginas divulgado em julho pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Segundo o plano, dos R$ 3,5 trilhões em investimentos previstos, R$ 2,8 trilhões (80%) serão destinados ao petróleo e ao gás natural fóssil. Ao mesmo tempo, a fatia das fontes renováveis na matriz energética brasileira deve permanecer no patamar atual. Transição energética? Onde?

    “A questão-chave é: de que forma o aumento da oferta de energia, sem reduzir a demanda por combustíveis fósseis e as emissões resultantes, poderia contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas? À luz do que propõem York e Bell (2019), esse movimento não caracteriza uma transição energética, mas sim uma adição energética”, destaca o OC.

    O PDE projeta que a produção de petróleo no Brasil crescerá em quase 60% até 2035, mas o consumo do país se manterá praticamente estável. Ou seja, o país extrairá mais combustíveis fósseis para exportar, não para suprir a demanda interna. O que destrói o discurso de “segurança energética” dos defensores da expansão da exploração de petróleo, inclusive na Foz do Amazonas.

    O OC ainda chama atenção para as termelétricas a combustíveis fósseis: “o PDE prevê 26,3 GW [gigawatts] de expansão da capacidade de térmicas não renováveis, das quais quase 19 GW são a gás. Esse tipo de usina está entre as opções mais poluentes e caras para a geração de eletricidade e, ainda por cima, é contratado com inflexibilidade operacional sob o argumento de que garante a segurança e a estabilidade do sistema diante da crescente participação das renováveis”. Sem falar que o plano inclui usinas a carvão, que emitem ainda mais e produzem eletricidade ainda mais cara do que as similares a gás.

    O resultado disso é que o plano governamental prevê um aumento de 18% nas emissões de gases de efeito estufa do setor energético brasileiro, destaca a análise do OC. Ou seja, mesmo mantendo a participação das fontes renováveis na matriz energética nacional, emitiremos mais. No país do Plano Nacional de Transição Energética (PLANTE), que tenta dar a partida em um mapa do caminho para além dos combustíveis fósseis, mais contrassenso impossível.

    A aposta brasileira em mais combustíveis fósseis vai na contramão não apenas da urgência climática. Ela é também financeiramente questionável, mostra a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB) do WWF-Brasil, baseada em metodologia do próprio governo federal. O WWF-Brasil indica que insistir na exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode acarretar um prejuízo social de R$ 22,2 bilhões. Já direcionar os investimentos para a energia renovável pode gerar um benefício líquido positivo de R$ 24,8 bilhões.

    “Isso revela um custo de oportunidade potencial de R$ 47 bilhões, do qual o país abre mão ao ignorar que a substituição progressiva por biocombustíveis e fontes limpas evita perdas econômicas bilionárias e blinda o país contra o risco de ativos encalhados. Royalties incertos não substituem uma estratégia de desenvolvimento: dependem de preços internacionais, prazos longos e riscos crescentes no mercado. A transição só ganhará escala se o país alinhar incentivos, regulação e infraestrutura — de redes e armazenamento a biocombustíveis, biometano e outras soluções de baixo carbono. Mais do que uma disputa tecnológica, trata-se de uma decisão política”, reforçam Alexandre Gross e Ricardo Fujii, do WWF-Brasil, na Exame.

    • Em tempo: A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) aprovou a inclusão de 24 novos blocos exploratórios na porção terrestre da Bacia Potiguar em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC), informam Valor, Estadão e Poder 360. As áreas somente poderão ser ofertadas após o 6º ciclo, cujo leilão está marcado para o dia 7 de outubro. Entre as áreas incluídas está o bloco POT-T-551, na cidade de Tabuleiro do Norte, no Ceará. Lá, o agricultor Sidrônio Moreira encontrou petróleo acidentalmente em novembro de 2024, ao tentar abrir um poço artesiano para abastecer sua família e seus animais.

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