MapBiomas: área queimada cai em 2025 e interrompe sequência de altas – ClimaInfo
- Uso da terra
- Notícias
Mais de 12 milhões de hectares queimaram no Brasil no ano passado, quase metade do total de 2024; Amazônia teve a menor área queimada em 41 anos.
21 de julho de 2026

Resumo
Depois de passar por uma de suas piores temporadas de fogo em 2024, o Brasil registrou uma queda significativa na área queimada no ano passado. Segundo o Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado na 3ª feira (21/7) pelo MapBiomas, o país perdeu para o fogo 12,7 milhões de hectares em 2025. É quase metade da área registrada em 2024 e 31% abaixo da média histórica desde 1985.
A queda, que interrompeu uma sequência de expansão do fogo nos últimos anos, foi puxada principalmente pela Amazônia, cuja área queimada em 2025 foi a menor da série histórica, com 3,1 milhões de hectares. No ano anterior, o bioma amazônico registrou seu pior índice histórico, com mais de 15 milhões de hectares queimados.
O Cerrado também registrou menos chamas em 2025 do que a média histórica, mas segue como o bioma mais afetado pelo fogo, com 8,7 milhões de hectares queimados. Já o Pantanal teve a maior queda proporcional entre todos os biomas, com 121 mil hectares queimados no ano passado – o menor índice da série histórica. A Caatinga foi o único bioma a registrar queimadas acima da média em 2025, com 505 mil hectares queimados.
Como a Folha assinala, mesmo com a melhora, o patamar de áreas queimadas no Brasil ainda é elevado: o total queimado em 2025 representa quase metade da área do estado de São Paulo (248 mil km²).
Quase metade (47%) de toda a área queimada no Brasil desde 1985 está concentrada em três estados: Mato Grosso (45,1 milhões de hectares), Pará (31,6 milhões) e Maranhão (20,7 milhões), segundo o MapBiomas. Em nível municipal, 11% de toda a área queimada no país nos últimos 41 anos se concentra em 15 cidades, com destaque para Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA), que lideram o ranking histórico.
O panorama das últimas quatro décadas deixa evidente como o fogo vem se tornando um problema cada vez mais frequente nos biomas brasileiros. Segundo o MapBiomas, 64% de tudo o que já pegou fogo no Brasil desde 1985 queimou mais de uma vez, e o Cerrado é o bioma com a maior proporção de área queimada mais de uma vez (66%).
Do total nacional, 52% das áreas com recorrência voltaram a queimar em até 4 anos. Esse intervalo é ainda menor na Amazônia: 31,6% de sua área queimada volta a pegar fogo em até dois anos – o que mostra que a vegetação tem cada vez menos tempo para se recuperar de um evento para o outro.
“Na Amazônia, onde a vegetação não é adaptada ao fogo, intervalos tão curtos entre os eventos reduzem o tempo de recuperação e aumentam o risco de novos incêndios, mais intensos e degradantes. Esse processo pode comprometer progressivamente a regeneração e tornar a floresta cada vez mais vulnerável ao fogo”, explicou Luiz Felipe Martenexen, do IPAM e da equipe do MapBiomas, n’O Globo.
O dado reforça a preocupação de cientistas com o “Super El Niño”, que pode provocar seca extrema na Amazônia nos próximos meses, favorecendo a disseminação do fogo. “Em anos de El Niño, a gente tende a ter mais área queimada (…) porque [o fenômeno] deixa a vegetação mais seca e mais suscetível a incêndios. E vale lembrar que a maior parte das fontes de ignição do fogo são humanas”, observou Vera Laisa Arruda, pesquisadora do IPAM e do MapBiomas, no Valor.
Os dados do MapBiomas tiveram grande destaque na imprensa, com matérias no Bom Dia Brasil, Brasil de Fato, DW, Exame, g1, Gigante 163, Globo Rural, Metrópoles, Neomondo, Pará Terra Boa, Projeto Colabora e Revista Fórum, entre outros.
- Amazônia
- Cerrado
- MapBiomas
- queimadas









