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July 17, 2026
Clima

Nove em cada 10 municípios brasileiros já sofreram com desastres hídricos – ClimaInfo

  • Julho 17, 2026
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Nove em cada 10 municípios brasileiros já sofreram com desastres hídricos – ClimaInfo
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Estudo analisou quase 60 mil registros de inundações, tempestades, deslizamentos de terra e seca; prejuízos somaram US$ 123 bilhões.

16 de julho de 2026

enchentes RS retorno
Fabio Tito/g1

Resumo

  • Inundações, tempestades, deslizamentos de terra e secas: um estudo por Cemaden, USP e INPE mostra que mais de 91% dos municípios brasileiros sofreram ao menos um desses tipos de desastres hídricos entre 1991 e 2024, totalizando quase 5 mil mortes e cerca de US$ 123 bilhões em prejuízos econômicos.
  • Distribuição regional: as inundações foram os eventos mais frequentes (45% dos registros), enquanto as secas, embora menos comuns, causaram a maior parte das mortes (35%). O Nordeste lidera em número de municípios afetados e prejuízos por secas, o Sudeste concentra mortes por inundações e deslizamentos, e o Sul se destaca em inundações e mortes por tempestades.
  • Causas e casos emblemáticos: o estudo aponta que, além do clima extremo, a negligência e a falta de estrutura de prevenção agravam os impactos. Municípios como Nova Friburgo, Petrópolis e Rio do Sul figuram entre os mais afetados, e o levantamento inclui eventos recentes, como as chuvas de São Sebastião (2023) e as enchentes no Rio Grande do Sul (2024).
  • O clima extremo marcou quase todas as cidades brasileiras. De acordo com um estudo publicado na Environmental Research Letters, mais de 91% dos 5.569 municípios do país mais o DF experimentaram pelo menos um desastre relacionado a inundações, deslizamentos de terra, tempestades e/ou secas nos últimos 35 anos.

    A pesquisa foi feita por especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da USP e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a partir da análise de quase 60 mil registros de desastres hídricos no país entre 1991 e 2024. Ao todo, esses eventos causaram quase 5 mil mortes e custaram cerca de US$ 123 bilhões (R$ 630 bilhões) à economia brasileira.

    A pesquisa dividiu os registros de desastres em quatro categorias: inundações, tempestades, secas e deslizamento de terras. As inundações foram o desastre mais recorrente, com 45% dos registros, 16% das mortes e 32% das perdas econômicas. Já as secas, apesar de representarem apenas 6% dos registros de desastre, concentraram a maior parcela de mortes no período, com 35%.

    O Nordeste tem o maior número de municípios com registros de eventos extremos (1.765), seguido por Sudeste (1.405), Sul (1.152), Norte (433) e Centro-Oeste (342). O Sudeste registrou o maior número de mortes por enchentes, enquanto o Nordeste sofreu o maior prejuízo econômico por conta das secas prolongadas. Já o Sul teve o maior número de inundações e mortes por tempestades.

    Os impactos também variam de região para região. Nos óbitos, por exemplo, o Sudeste concentrou o maior número de mortes relacionadas a inundações, alagamentos, enxurradas e deslizamentos. O Sul teve a maior parte de suas mortes relacionadas a tempestades, e o Nordeste, a secas.

    Muitos dos municípios experimentaram diferentes tipos de eventos extremos no período: 1.814 cidades enfrentaram três dos quatro tipos analisados, e outras 270 registraram todos os tipos.

    A cidade de Nova Friburgo (RJ) teve o maior número de mortes por inundações (432); Petrópolis (RJ) liderou os óbitos por deslizamento (108) e tempestades (327); e Milagres (BA) liderou os óbitos pela seca (64).

    Já Rio do Sul (SC) concentrou o maior prejuízo econômico por inundações (cerca de R$ 11,4 milhões); e Maceió (AL) registrou o maior prejuízo por deslizamentos (cerca de R$ 14,4 milhões).

    O levantamento inclui muitos dos eventos extremos mais recentes que assolaram o Brasil, como as chuvas de fevereiro de 2023 em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, e as tempestades que deixaram boa parte do Rio Grande do Sul debaixo d’água em maio de 2024.

    Os autores do estudo ressaltaram que, além do clima extremo, a falta de preparo e prevenção também interfere nos impactos desses eventos. “Há exceções que os modelos climáticos não conseguem prever, mas, para a maioria dos eventos, órgãos nacionais como o Cemaden emitem alertas e o poder público é informado do que pode vir a acontecer. O problema é a negligência, a falta de estrutura e até ausência de atuação”, afirma Elton Vicente Escobar Silva, pesquisador do Cemaden e primeiro autor do estudo, à Agência FAPESP.

    O estudo também foi destacado pela CNN Brasil e O Globo.

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