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July 15, 2026
Estado Tocantins

Decisão sobre motorista que recebeu milhões por engano pode levar anos | G1

  • Julho 15, 2026
  • 3 min read
Decisão sobre motorista que recebeu milhões por engano pode levar anos | G1

“A depender dos recursos impetrados pode demorar anos ou até mesmo uma década. Estes são processos que a tramitação média nunca é inferior a cinco anos. Se o banco perde, eles recorrem apresentando apelação, e o requerente (motorista) da mesma forma”, explicou o advogado.

A transferência por engano e a devolução ocorreram em 2023, mas o caso está aguardando julgamento há dois anos. A decisão mais recente da 6ª Vara Cível de Palmas não conheceu os embargos de declaração apresentados pela defesa de Antônio, o que significa que o recurso sequer chegou a ser analisado por não atender aos requisitos previstos em lei.

🔎 Os embargos de declaração são um instrumento processual utilizado para pedir esclarecimento ou a correção de pontos considerados omissos, contraditórios ou obscuros de uma decisão judicial, nos casos previstos em lei.

Antônio Pereira do Nascimento ficou conhecido como milionário por um dia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Entenda a última decisão

O recurso da defesa de Antônio Pereira foi apresentado depois que o juiz do caso decidiu não ouvir as testemunhas, em março de 2026. Segundo o magistrado, os documentos já eram suficientes para analisar o processo.

O g1 entrou em contato com a defesa de Antônio Pereira para obter um posicionamento sobre a decisão da Justiça e os próximos passos do processo, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

O Bradesco, instituição responsável pela transferência feita por engano, informou, em nota, que não comenta processos em andamento na Justiça.

Relembre o caso

O caso teve início em junho de 2023, quando o motorista Antônio Pereira do Nascimento, pai de quatro filhos e avô de 14 netos, consultou o saldo da conta bancária e encontrou um valor milionário. A quantia, que pertencia ao Bradesco, foi transferida por engano para a conta do trabalhador, que, na época, tinha apenas R$ 227 de saldo.

Na ocasião, Antônio afirmou que, apesar da surpresa, nunca pensou em ficar com o dinheiro. Ele destacou que preza pela honestidade e pelo sustento que tira do trabalho diário. “Nunca vi um dinheiro desse na minha vida e não consigo nunca na minha vida, só se ganhar na Mega-Sena, e jogar eu não jogo. Então é difícil”, disse Antônio na época.

Em julho de 2024, Antônio acionou a Justiça alegando que a situação lhe causou prejuízos. De acordo com a ação, o gerente do banco teria feito “pressão psicológica” para a devolução imediata do valor, ao afirmar que pessoas estariam na porta da casa dele aguardando a quantia.

Além disso, segundo a defesa, por causa do montante recebido, o banco classificou a conta como “VIP” e elevou a tarifa bancária de R$ 36 para R$ 70 sem aviso prévio. Os advogados também afirmam que o motorista sofreu abalos emocionais devido ao assédio da imprensa e à exposição da rotina após a repercussão do caso.

Veja a cronologia do caso do depósito de R$ 131 milhões feitos por engano para Antônio Pereira — Foto: Arte g1

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