Guerra pressiona companhias aéreas no Brasil e setor prevê impacto na aviação regional – ClimaInfo
11 de maio de 2026

No início deste mês, a Petrobras aumentou novamente o preço do querosene de aviação (QAV) – efeito dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que fez os preços de petróleo, gás e derivados dispararem. Com isso, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), o principal item de custo do transporte aéreo dobrou no país. Agora, as companhias começam a contabilizar os impactos no setor aéreo e no caixa das empresas.
A ABEAR prevê aumento no número de cancelamentos, com um baque esperado para a aviação regional, informam Folha e O Tempo. De acordo com o presidente da entidade, Juliano Noman, o custo mais elevado das passagens, decorrente da alta dos combustíveis, pode desestimular a demanda. Por isso, as companhias já vêm ajustando a malha, reduzindo os voos previstos para os próximos meses.
Um levantamento da ABEAR a partir de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) mostra uma queda no número de voos projetados para o mês de maio. O número considera especificamente o mercado doméstico e regular, sem táxis aéreos, fretados, aviação executiva etc..
Em 2 de abril de 2026, eram previstos para maio 2.193 voos por dia no Brasil, patamar que caiu para 2.121 voos diários em 6 de maio, quando a associação voltou a monitorar. No total projetado para o mês, há 2.225 voos a menos em todo o país em relação à primeira projeção.
O preço do querosene de aviação afetou os resultados financeiros das companhias aéreas. Nos balanços de janeiro a março, divulgados na semana passada, as empresas anunciaram prejuízo decorrente da alta dos combustíveis. A LATAM, por exemplo, disse que a guerra causou um impacto de US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) no primeiro trimestre.
Se o valor preocupa, o mesmo não ocorre com a oferta de combustível de aviação no Brasil. A ABEAR não vê risco de falta nos próximos meses, já que a maior parte do QAV utilizado pelas empresas aqui é produzida no país.
Uma situação bem diferente do que vem ocorrendo na Europa. Sem reforço no abastecimento, a escassez de combustível pode provocar mais atrasos e cancelamentos de voos no continente às vésperas da alta temporada de verão, destaca a BBC Brasil.
Sem falar, claro, no preço. No fim de fevereiro, antes do conflito no Oriente Médio, o combustível de aviação era negociado a US$ 831 (R$ 4.150) por tonelada na Europa. No início de abril, chegou a US$ 1.838 (R$ 9.190) – alta de mais de 120%. Recuou, mas mantém-se acima de US$ 1.500 (R$ 7.500).
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Em tempo 1: Marcelo Leite traz na Folha o custo real do petróleo para a economia mundial. “O dado portentoso parte da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), não do Observatório do Clima nem do Greenpeace: para apoiar fósseis em 2024, o planeta arcou com custo fiscal de US$ 916,3 bilhões (um terço do PIB do Brasil). O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima o ônus fiscal em pouco mais de US$ 725 bilhões decorrente de subsídios explícitos. Computados os subsídios ocultos, como despesas com poluição do ar e eventos climáticos extremos, acrescentam-se outros US$ 6,7 trilhões. Tudo somado, quase três PIBs do Brasil”, detalha. “Não dá para entender por que se gasta tanto com um insumo energético condenado a desaparecer neste século, se for para evitar a pior mudança do clima”, reforça Leite. Com a palavra, os lobistas do petróleo e seus políticos de estimação
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Em tempo 2: Os contratos futuros do petróleo tiveram forte alta ontem (11/5), com investidores voltando a precificar um prêmio de risco maior diante de novas tensões no Oriente Médio. O Brent com vencimento em julho teve alta de 2,88%, cotado a US$ 104,21 por barril, enquanto o WTI com entrega prevista para junho subiu 2,78%, a US$ 98,07 por barril, informa o Valor.
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