Marina Silva faz balanço de sua gestão e lista desafios geopolíticos – ClimaInfo
Recém-saída da pasta do Meio Ambiente para concorrer ao Senado Federal por São Paulo, Marina Silva fez um balanço no Valor sobre ganhos e derrotas de sua gestão e a eleição presidencial de 2026. A ex-ministra afirmou ter sentimento de “missão cumprida”, tanto na reconstrução de políticas abandonadas (ou destruídas) no governo de Jair Bolsonaro quanto na criação de novas ações.
“Se nos primeiros mandatos [do presidente Lula, de 2003 a 2010] foi marcante ter criado uma política capaz de conter desmatamento, agora criamos instrumentos econômicos que serão capazes de criar novas dinâmicas de desenvolvimento”, afirmou.
Segundo Marina, o Fundo Clima tinha recursos de R$ 400 milhões, que foram multiplicados para R$ 170 bilhões. Além disso, o Fundo Amazônia foi retomado, e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) – lançado oficialmente na COP30, em Belém – conta com US$ 6 bilhões (R$ 30 bilhões), com possibilidade de chegar a US$ 25 bilhões (R$ 127 bilhões).
Outro grande resultado do trabalho de Marina deverá se comprovar somente após sua saída do ministério. Em 2026, o desmatamento deve chegar à menor taxa da série histórica – 2,8 mil km² – superando o recorde de 4,6 mil km², em 2012, afirma Míriam Leitão n’O Globo.
Mas nem tudo foram flores. É impossível esquecer a derrota imposta por Câmara e Senado na aprovação da Lei Geral do Licenciamento ambiental – a Lei da Devastação. “Foi uma decisão do Congresso. O governo trabalhou unido até o último momento para encontrar uma saída”, disse Marina.
Questionada sobre a licença ambiental dada pelo IBAMA à Petrobras para explorar petróleo e gás no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas – vista como uma derrota pelo campo ambientalista – Marina comparou o processo ao licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que provocou sua saída do ministério em 2008. Segundo a ex-ministra, foram processos diferentes.
“É uma licença que foi negada duas vezes e só na terceira, com toda a autonomia dos técnicos, foi dada, e para prospecção. A licença de Belo Monte já foi diretamente para o empreendimento”, afirmou à Folha.
Filiada à Rede Sustentabilidade, da qual é uma das fundadoras, Marina frisou que pretende permanecer ao lado de candidaturas do campo democrático, popular e da sustentabilidade, conta a Revista Cenarium. “É um momento difícil para qualquer eleição neste momento no mundo. Mas também é uma oportunidade para que os Povos possam escolher se querem se perfilar do lado da civilização ou da barbárie”, reforçou.









