Mãe e filha estudaram juntas para passar em medicina no TO | G1
O sonho de cursar Medicina aproximou ainda mais Adriana Coelho de Almeida Dias e a filha, Beatriz Almeida Dias, ao longo dos últimos anos. Antes mesmo da aprovação, mãe e filha já dividiam livros, rotinas de estudo e conversas sobre o futuro profissional. O esforço conjunto resultou em uma conquista rara: as duas foram aprovadas para a mesma turma de Medicina.
Fonoaudióloga há mais de 20 anos, Adriana adiou o desejo de se tornar médica para priorizar a criação das filhas. Mesmo assim, nunca se afastou totalmente dos estudos. Durante o período escolar de Beatriz, ela manteve o hábito de estudar junto com a filha, acompanhando de perto as tarefas e a rotina de estudos.
“Sempre acompanhei a vida escolar delas e dizia: ‘Vou fazer o vestibular um dia e vou passar, porque estou estudando junto com vocês’”, recorda Adriana.
A aprovação das duas aconteceu em agosto de 2025, para a primeira turma do curso de Medicina da Faculdade de Ciências do Tocantins (Facit), em Araguaína, com início das aulas em setembro do mesmo ano.

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Dedicação em família
A dedicação compartilhada ganhou ainda mais força quando Beatriz decidiu prestar vestibular para Medicina. Na época, a jovem ainda cursava o Ensino Médio e utilizou a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no processo seletivo.
Durante o processo seletivo, a possibilidade de apenas uma das duas ser aprovada gerou ansiedade. Adriana lembra que a filha ficou apreensiva com o resultado. “A Beatriz ficou nervosa. Ela pensava: ‘Meu Deus, se minha mãe passar e eu não, como vai ser?’”, contou.
O receio, no entanto, deu lugar à comemoração em dobro. Além de ingressarem juntas na graduação, mãe e filha conseguiram realizar o sonho sem precisar deixar a cidade onde moram. “Foi o resultado que ela sempre sonhou. E cursar aqui na nossa cidade, fazendo faculdade em casa, também é um privilégio”, destacou Adriana.
A fonoaudióloga Adriana Dias e a filha Breatriz Dias foram aprovadas em medicina ao mesmo tempo — Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Dias
Hoje, dividindo a mesma sala de aula, as duas vivem momentos diferentes da vida, mas compartilham o mesmo objetivo profissional. Para Beatriz, o curso representa a oportunidade de exercer uma escuta mais atenta e empática. “Quero que o paciente recorra ao meu consultório em busca de acolhimento, não apenas de um tratamento”, afirmou a estudante.
Adriana vê a nova graduação como uma forma de ampliar o cuidado que sempre exerceu na fonoaudiologia. Ao olhar para trás, ela resume a trajetória com a certeza de que o esforço e a espera fizeram parte do caminho. “Se eu pudesse falar com a Adriana do passado, diria: ‘Continue. Sua hora vai chegar’”, disse.









