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May 11, 2026
Estado Tocantins

Turismo e futebol: como Wanderlei usou jatinho contratado pelo Estado

  • Outubro 20, 2025
  • 6 min read
Turismo e futebol: como Wanderlei usou jatinho contratado  pelo Estado

Os documentos mostram que além das viagens institucionais justificadas, o casal também fez viagens de turismo com a família, acompanhou partidas de futebol dentro e fora do Estado, além de viajar para participar de uma reunião familiar.

Wanderlei Barbosa e Karynne Sotero em viagem de férias — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Como era o contrato do jatinho com o governo do Tocantins?

O contrato anual de locação do jatinho executivo de médio porte e alta performance, firmado pelo governo do Tocantins com uma empresa de táxi aéreo, previa um custo fixo em torno de R$ 20 milhões. Independentemente da quantidade de voos, o valor do contrato era o mesmo.

Assim que assumiu o cargo, o governador em exercício, Laurez Moreira (PSD), suspendeu o contrato e devolveu a aeronave, afirmando que esse tipo de despesa não é prioridade para o Estado.

Na época da suspensão do serviço, a defesa de Wanderlei alegou que o contrato estava estritamente dentro da legalidade, tendo passado por todas as fases licitatórias, e era utilizado exclusivamente em serviço.

Governador afastado usou avião para fins particulares?

A documentação que a reportagem teve acesso mostrou que o jatinho locado com recursos estaduais foi usado em diversas oportunidades para viagens de turismo pelo governador afastado e pela primeira-dama.

As viagens, pagas com dinheiro público, incluíram o retorno ao Tocantins após férias pelos Lençóis Maranhenses e litoral do Nordeste, em janeiro. Além disso, parentes sem vínculo com o Estado, como o filho Rérison Castro – superintendente do Sebrae Tocantins -, a filha, o genro e o neto do governador, além do deputado estadual Léo Barbosa (Republicanos), que também é filho de Wanderlei, fizeram parte das comitivas em diferentes deslocamentos.

A TV Anhanguera e o g1 pediram posicionamento para Wanderlei, Karynne e Rérison sobre as viagens, mas não houve resposta até a atualização desta reportagem. Em nota, Léo Barbosa informou que acompanhou o então governador em agenda institucional no dia 20 de março e que sua presença em qualquer evento público ou privado após o fim da agenda institucional não configura ilegalidade ou aumento de despesas para o Estado (veja nota na íntegra abaixo).

Wanderlei Barbosa e o deputado estadual Léo Barbosa, filho dele — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Quais os valores das viagens feitas por Wanderlei Barbosa com o uso do jatinho?

Os documentos mostraram que diversas viagens, nas quais ocorreram atividades particulares, custaram milhares de reais aos cofres públicos. Confira:

  • R$ 141 mil: Retorno dos Lençóis Maranhenses (Maranhão) para Palmas, em 13 de janeiro de 2025, com o casal e familiares;
  • R$ 86 mil: Deslocamento em fevereiro de 2025 para acompanhar uma partida de futebol (Atlético Mineiro vs. Tocantinópolis), junto com o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos);
  • R$ 89 mil: Viagem em 19 de março de 2025 para Brasília (DF), onde assistiram ao jogo da Seleção Brasileira, em comitiva que incluía neto e filhos, como o deputado estadual Léo Barbosa.
  • R$ 165 mil: Trajeto de ida e volta para Campina Grande (PB), em 5 de maio de 2025, justificado como “missão oficial” (sem compromissos públicos localizados), incluindo filha e genro sem vínculo com o Estado. Neste dia Wanderlei postou que estava no lago de Palmas.
  • R$ 286 mil: Novo voo entre Palmas, Brasília e Campina Grande, entre 21 e 22 de maio de 2025, com a comitiva que incluía Wanderlei, a primeira-dama, além de parentes como Rérison e sua esposa. Porém, o governador postou nas redes sociais que, na verdade, estava voltando ao Tocantins de carro.
  • R$ 50.000,00: Viagem para Minaçu (GO) em 12 de julho de 2025 para participar de uma reunião familiar. A bordo estavam Wanderlei, a primeira dama, o filho Rérison e um irmão do governador.

Wanderlei Barbosa e Karynne Sotero durante viagem ao Maranhão — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Quais foram as consequências do uso indevido do jatinho oficial?

O uso indevido do jatinho, em meio à investigação de corrupção, levou o governador em exercício, Laurez Moreira (PSD), a suspender o contrato de locação da aeronave, que custava R$ 20 milhões anuais aos cofres públicos.

Laurez afirmou que o gasto não era prioridade e que o governo teria maior rigor com despesas do tipo, inclusive barrando uma viagem de comitiva do Palácio Araguaia aos Estados Unidos, prevista para o mês de setembro.

Questionada sobre a possibilidade de investigação do uso da aeronave, a Polícia Civil informou que chefes do poder executivo estadual possuem prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça. Por essa razão, qualquer investigação sobre eventuais denúncias de crimes supostamente cometidos no exercício do mandato ficam a cargo da Polícia Federal – mesmo em casos de afastamentos ou quando a pessoa já não ocupa mais o cargo em questão.

O g1 questionou a Polícia Federal e o Ministério Público Estadual do Tocantins se haverá investigação sobre os indícios levantados pela reportagem, mas não houve retorno das instituições até a última atualização desta reportagem.

Porque Wanderlei Barbosa foi afastado do cargo?

A operação investiga indícios de um esquema de desvio de recursos públicos, que teriam ocorrido entre 2020 e 2021, por meio de fraudes em contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. O prejuízo aos cofres públicos nesse esquema é estimado em mais de R$ 73 milhões.

Íntegra da nota de Léo Barbosa

O deputado estadual Léo Barbosa informa que acompanhou o Governador Wanderlei Barbosa em agenda institucional em Brasília durante todo o dia 20 de março em vários Ministérios, como o de Infraestrutura e o DNIT, em busca de soluções para os problemas do Estado. A sua presença em qualquer evento público ou privado após o fim de sua agenda institucional não configura qualquer tipo de ilegalidade e não representa um aumento de despesas para o Estado.

Íntegra da nota do Sebrae Tocantins

O Sebrae Tocantins esclarece que não tem relação com as viagens mencionadas, realizadas em aeronave locada pelo Governo do Estado do Tocantins.

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