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July 17, 2026
Estado Tocantins

PF encontrou R$ 32 mil em espécie no gabinete do governador do Tocantins

  • Setembro 3, 2025
  • 4 min read
PF encontrou R$ 32 mil em espécie no gabinete do governador do Tocantins

Os investigadores realizaram a segunda fase da Operação Fames-19 nesta quarta-feira (3) para cumprir 51 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares em Palmas (TO), Araguaína (TO), Distrito Federal, Paraíba, Maranhão.

Na primeira fase da operação, em agosto de 2024, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços do governador, entre eles o gabinete no Palácio Araguaia — sede do governo local.

Dinheiro apreendido no gabinete do governador, em agosto de 2024 — Foto: Reprodução

Os investigadores encontraram R$ 32,2 mil em espécie no gabinete do governador junto dos carimbos de Barbosa e de seu chefe de gabinete, Marcos Martins Camilo.

Segundo a PF, o fato de integrantes do esquema sacarem “grandes quantias em espécie” e os valores apreendidos no gabinete do governador “reforçam a convicção de que atos de corrupção passiva, de fato ocorreram e continuam a ocorrer na sede do Poder Executivo estadual”, diz trecho da investigação.

Além do dinheiro encontrado na sede do governo tocantinense, a polícia apreendeu mais R$ 35,5 mil, US$ 1,1 mil e 80 euros no escritório que fica na casa de Wanderlei.

Ao falar do governador, envolvido diz: “Caba tá guloso rs”

A retirada de Wanderlei Barbosa do cargo é resultado da investigação da PF, que apura desvios de recursos durante a pandemia de Covid-19 no estado. O prejuízo estimado seria superior a R$ 73 milhões.

Investigadores citam que diálogos no WhatsApp interceptados mostram a “nítida alusão ao recebimento sistemático de propina por parte do governador”.

Um dos diálogos ocorre com um dos operadores do esquema com o irmão do governador, em que tratam sobre a prorrogação do estado de calamidade pública. Paulo Cesar Lustosa Limeira, ex-marido da primeira-dama do estado, envia a notícia de que Wanderlei irá prorrogar a calamidade, enquanto o irmão do governador ri.

  • PC Lustosa (ex-marido da primeira-dama): (encaminhada) “Governador Wanderlei Barbosa prorroga estado de calamidade pública no Tocantins”
  • PC Lustosa: “Caba tá guloso, rsrsrs”
  • PC Lustosa: “Dinheiro”
  • Wilton Irmão Líder (Wilton Rosa Pires, irmão do governador): “kkkk”

Governador Wanderlei Barbosa, durante eleição de 2022 — Foto: Aurora Fernandes/TV Anhanguera

“A análise dos diálogos também evidenciou a prática do crime de fraude à licitação, havendo expressa menção a quem ganharia os certames patrocinados por entes públicos”, diz a PF.

De acordo com a investigação, parte do dinheiro desviado foi usado para construir uma pousada de luxo em nome do filho do governador. Mais de R$ 2,4 milhões foram enviados para o empreendimento em dois anos.

Desvio de recursos

A PF apura fraudes em contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados financiados por emendas parlamentares em 2020 e 2021.

Nesse período, os investigados teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública e assistência social para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas.

Os contratos do governo do Tocantins investigados pela PF e STJ envolvem a compra de pelo menos 1,6 milhão de cestas básicas durante a pandemia.

A suspeita da polícia é de que os contratos, que chegavam a quase R$ 5 milhões, foram pagos, mas nem todas as cestas foram entregues à população.

O que diz o governador Wanderlei Barbosa:

“Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.

Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.

Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.”

Governador Wanderlei Barbosa (Republicanos)

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