COP30: sem EUA, União Europeia vira alvo de críticas de países pobres por impasses em negociações – ClimaInfo
A ausência dos Estados Unidos de Donald Trump nas negociações climáticas da ONU não é a única movimentação no tabuleiro diplomático para a COP30. A União Europeia, tradicionalmente tida como um ator mais cooperativo e ambicioso entre as nações desenvolvidas, está se tornando o novo pivô de um dos principais impasses para as conversas que acontecerão em novembro na cidade de Belém – o financiamento climático.
O Estadão deu mais detalhes dessa movimentação. No encontro intersessional da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), realizado em junho passado em Bonn (Alemanha), a UE foi protagonista na hora de travar as discussões sobre os meios de implementação – que inclui o fornecimento de financiamento para ação climática aos países em desenvolvimento.
Uma explicação para essa mudança está na própria saída dos EUA das negociações climáticas. Sem a economia mais rica do planeta na mesa, os países europeus ficaram expostos às pressões das nações em desenvolvimento. “Os EUA tinham mais obrigações que a UE para provisão de recursos. Sem os americanos, ela passa a ser a principal interessada”, explicou André Castro, diretor da LACLIMA.
Essa postura mais inflexível dos negociadores europeus coloca mais um tempero explosivo no caldeirão diplomático que deve ferver na capital paraense em pouco menos de 120 dias. No JOTA, Jennifer Ann Thomas fez um panorama das pressões geopolíticas que devem impactar as negociações da COP30, além dos enroscos domésticos que prejudicam a imagem do Brasil como anfitrião das negociações climáticas – como, por exemplo, a insistência em liberar a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas.
Por falar no Brasil, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente-designado da COP30, conversou com a Jovem Pan sobre o papel do país na condução das negociações internacionais sobre clima a partir de novembro. Ele ressaltou o principal objetivo da diplomacia brasileira em Belém: avançar com a implementação dos compromissos climáticos globais. “Já temos um mandato global para avançar. Agora é hora de fazer”, observou.









