Subsídio aos combustíveis fósseis é mais do dobro do destinado a renováveis – ClimaInfo
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Levantamento do Inesc revela que os combustíveis fósseis receberam R$ 2,35 para cada R$ 1 destinado às renováveis em 2025.
5 de novembro de 2026

Resumo
O Brasil destinou R$ 54,1 bilhões em subsídios federais aos combustíveis fósseis em 2025, o equivalente a 70% dos R$ 77,16 bilhões concedidos às fontes de energia no país. O montante destinado ao petróleo, ao gás fóssil e ao carvão mineral foi 2,35 vezes maior do que os R$ 23 bilhões destinados às fontes renováveis.
É o que mostra a 9ª edição do Monitoramento dos Subsídios Federais às Fontes de Energia no Brasil do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). O levantamento acompanha 27 mecanismos de incentivo à produção e ao consumo de energia, informam Brasil de Fato, Revista Fórum e Veja.
O volume total de subsídios às fontes de energia no país cresceu 4,4% entre 2024 e 2025, passando de R$ 73,9 bilhões para R$ 77,2 bilhões. E, apesar da diferença gritante entre os montantes destinados ao petróleo, ao gás e ao carvão e às renováveis, os incentivos aos combustíveis fósseis tiveram redução nominal de 1,3%, enquanto os destinados às renováveis avançaram 21%, aponta o estudo.
Apesar do aumento das renováveis, a distribuição dos incentivos evidencia a necessidade de uma reforma dos subsídios, com base nos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil, sobretudo aos combustíveis fósseis, tanto na produção quanto no consumo, destaca o INESC. Para dar uma ideia da magnitude desses recursos, a cifra destinada às fontes fósseis equivale a mais de 11 vezes o orçamento de R$ 4,8 bilhões do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 2025.
Um dos principais alertas do monitoramento do INESC é o aumento dos subsídios aos combustíveis fósseis, financiados por meio das tarifas de energia elétrica. Em 2025, a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) alcançou R$ 14,1 bilhões, um aumento de 27% em relação ao ano anterior, tornando-se o maior subsídio individual entre os mecanismos analisados. O instrumento financia custos associados à geração de eletricidade nos sistemas isolados, que utilizam combustíveis fósseis.
As bandeiras tarifárias também registraram um crescimento expressivo, de 1047%, passando de R$ 3,82 bilhões em 2024 para R$ 7,78 bilhões em 2025. O avanço ocorreu em um contexto de redução da geração hidrelétrica e de maior acionamento de termelétricas. Somados aos incentivos ao carvão mineral, esses mecanismos somaram R$ 23,1 bilhões, equivalentes a 43% dos subsídios destinados aos combustíveis fósseis no ano.
Outro resultado relevante é a redução de 46% nas renúncias fiscais associadas ao REPETRO, regime especial voltado às atividades de pesquisa e exploração de petróleo e gás. Os benefícios passaram de R$ 17,2 bilhões em 2024 para R$ 9,25 bilhões em 2025, em um contexto de produção recorde de petróleo no país.
Apesar do aumento expressivo dos incentivos às energias renováveis, o Inesc chama a atenção para o fato de que o modelo de financiamento do setor também gera desigualdades. A expansão foi impulsionada principalmente pelos incentivos à geração distribuída (GD), que somaram R$ 14,7 bilhões (64% do total). Embora contribua para ampliar a participação das fontes renováveis na matriz elétrica, a GD transfere parte de seus custos aos consumidores que não possuem sistemas próprios de geração.
O estudo também aponta a redução de recursos destinados ao apoio à agricultura familiar e à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias de energia renovável. O Programa de Transição Energética, previsto no Plano Plurianual 2024-2027, registrou apenas menos de R$ 7 milhões em gastos diretos em 2025.
Para o Inesc, esses resultados demonstram que ampliar a participação das fontes renováveis não é suficiente para garantir uma transição justa, sendo necessário considerar quem se beneficia desses incentivos e quais desigualdades podem ser reproduzidas.
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Em tempo: O início da obrigação de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na aviação, previsto para janeiro de 2027, pode ser adiado. Um pedido formal de postergação partiu do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) porque o sistema de certificação necessário para operar o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProbioQAV) ainda não está pronto. Segundo a Folha, a proposta foi enviada na semana passada ao comitê do Combustível do Futuro, ligado ao Ministério de Minas e Energia (MME). O pedido se apoia em uma análise da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que identificou indefinições quanto à distribuição do combustível sustentável de aviação (SAF) no país, à comprovação das compras pelas companhias aéreas e ao modelo de fiscalização das metas.
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