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November 4, 2026
Clima

Aquecimento acima de 1,5°C acarretará danos irreversíveis a geleiras, diz ONU – ClimaInfo

  • Novembro 4, 2026
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Aquecimento acima de 1,5°C acarretará danos irreversíveis a geleiras, diz ONU – ClimaInfo
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Relatório ressalta importância de reduzir ao máximo tempo de ultrapassagem da principal meta do Acordo de Paris para preservar massas de gelo.

4 de novembro de 2026

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Diego Delso via Wikipedia

Resumo

  • Ameaça às massas de gelo: um novo estudo do PNUMA e da International Cryosphere Climate Initiative (ICCI), produzido por mais de 80 cientistas, aponta que a ultrapassagem do limite de 1,5°C (overshoot), esperada para os próximos anos, causará danos irreversíveis às geleiras do mundo. Os impactos não são totalmente inevitáveis: reduzir ao máximo o tempo de overshoot pode permitir a recuperação de parte das massas de gelo.
  • Cenários e consequências possíveis: com 1,5°C haveria perdas permanentes de gelo, elevação do nível do mar e ameaças à segurança hídrica. As calotas da Groenlândia e da Antártica continuariam perdendo gelo mesmo durante um breve período de overshoot. O cenário ideal seria limitar o aquecimento a menos de 1°C até 2150: com 0,8°C, cerca de 70% do volume atual das geleiras seria preservado, mas a recuperação levaria séculos ou milênios.
  • Riscos e urgência: para os cientistas, o colapso do gelo já ameaça milhões de pessoas, como evidenciam as enchentes históricas de agosto no Nepal e na China. James Kirkham, do ICCI, lembrou uma das maiores e mais mortais avalanches de gelo já registradas, na fronteira Nepal-China, que matou milhares e causou danos equivalentes a 10% do PIB nepalês. Ele citou ainda que a Suíça perdeu 20% do gelo de suas geleiras em cinco anos e que milhares de geleiras devem desaparecer na próxima década, reforçando a necessidade de se reduzir as emissões o quanto antes.
  • A ultrapassagem do limite de aquecimento de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais (conhecida como overshoot), que deve ocorrer nos próximos anos, causará danos irreversíveis às geleiras em todo o mundo, segundo um novo relatório do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) e da International Cryosphere Climate Initiative (ICCI). Os impactos, no entanto, não são totalmente permanentes: se reduzirmos ao máximo o tempo de overshoot, é possível que algumas massas de gelo se recuperem.

    Produzido por um grupo de mais de 80 cientistas, o relatório visa subsidiar os negociadores da COP31, que acontece a partir da próxima 2ª feira (9/11) em Antália (Turquia). De acordo com a análise, o futuro da criosfera — o conjunto de todas as regiões da superfície da Terra onde a água se encontra em estado sólido — depende da rapidez com que a humanidade reduzirá suas emissões de gases de efeito estufa em quantidade significativa para conter o aquecimento do planeta.

    Considerando o cenário atual e sua projeção para o futuro, a situação é preocupante. Um aquecimento de 1,5°C, limite mais ambicioso do Acordo de Paris, acarretaria danos permanentes às massas de gelo, como o derretimento de geleiras, resultando na elevação do nível do mar e em ameaças à segurança hídrica global. As calotas polares na Groenlândia e na Antártica, por exemplo, que estão derretendo cerca de seis vezes mais rápido hoje do que na década de 1990, continuariam a perder gelo mesmo em um overshoot breve e no retorno do aquecimento máximo a 1,5°C.

    Segundo o relatório, o cenário ideal seria limitar o aquecimento a menos de 1°C até 2150, o que permitiria uma recuperação parcial da criosfera. Sob um aquecimento de 0,8oC, cerca de 70% do volume atual das geleiras ficaria preservado. De toda forma, essa recuperação levaria séculos, ou mesmo milênios, para acontecer.

    Para os cientistas, o colapso das massas de gelo já é uma realidade que ameaça a vida de milhões de pessoas, como as enchentes históricas de agosto passado no Nepal e na China tornaram evidentes. Isso reforça a urgência de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa o quanto antes.

    “Este ano, já vimos uma das maiores e mais mortais avalanches de gelo já registradas, na fronteira entre o Nepal e a China, que matou milhares de pessoas e causou danos equivalentes a 10% do PIB do Nepal em um único evento. [Por sua vez] a Suíça perdeu 20% do gelo de suas geleiras nos últimos cinco anos, e espera-se que milhares de geleiras em todo o mundo desapareçam na próxima década”, afirmou James Kirkham, glaciologista do ICCI e principal autor do estudo, ao Guardian.

    O estudo do PNUMA e ICCI também foi destacado por CNN Brasil, Ecodebate, Exame, Folha, g1 e VEJA.

    • crise climática
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