Coalizão pró-energia limpa corta 80% do financiamento público para combustíveis fósseis – ClimaInfo
28 de outubro de 2026

Resumo
Os membros da Parceria para a Transição de Energia Limpa (CETP, sigla em inglês), lançada em 2021, na COP26, em Glasgow (Escócia), reduziram seu financiamento público internacional para combustíveis fósseis em até 80% em relação à média anual anterior ao lançamento da coalizão (média anual de 2019–2021). Em 2025, o financiamento de combustíveis fósseis caiu para US$ 3,3 bilhões (R$ 17,7 bilhões), uma redução anual de US$ 8,5 bilhões a US$ 13,2 bilhões (R$ 45,5 bilhões a R$ 70,7 bilhões) entre os membros.
A queda drástica nas aplicações em combustíveis fósseis demonstra o cumprimento contínuo dos compromissos climáticos da CETP, composta por 40 integrantes, entre países e instituições financeiras e de desenvolvimento. No entanto, os membros redirecionaram apenas 42% do financiamento cortado de petróleo, gás fóssil e carvão para energia renovável, informa a Exame. E a maior parte desse apoio é destinada a economias desenvolvidas.
É o que mostra o relatório “Em declínio, mas não eliminados: cortes profundos no financiamento de combustíveis fósseis, assuntos pendentes sobre energia limpa”. O documento foi elaborado pelo Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD), pela Oil Change International (OCI) e pela Friends of the Earth US e divulgado na 3ª feira (27/10).
Quando a CETP foi criada, seus integrantes comprometeram-se a pôr fim ao financiamento público internacional direto de combustíveis fósseis sem mitigação de emissões e a priorizar integralmente as energias renováveis. A nova avaliação constata progressos contínuos nesse sentido, apesar dos desafios geopolíticos globais e das crises energéticas em curso. De acordo com o relatório, onze dos 16 signatários de alto rendimento da parceria têm agora políticas de financiamento energético totalmente alinhadas com o compromisso, contra 10 no ano passado.
O apoio remanescente aos combustíveis fósseis está concentrado em poucos membros, o que evidencia onde uma implementação mais robusta poderia gerar ganhos adicionais. A Itália foi o país que mais financiou combustíveis fósseis no período de 2023 a 2025, com US$ 6 bilhões (R$ 32 bilhões), seguida pela Alemanha, com US$ 2,5 bilhões (R$ 13,4 bilhões), e pela Suíça, com US$ 1,6 bilhão (R$ 8,6 bilhões). As agências de crédito à exportação, que oferecem empréstimos com garantia governamental, seguros e garantias para exportações, representaram 64% do apoio dos membros aos combustíveis fósseis em 2025, o que as torna uma prioridade para o fechamento de lacunas nas políticas.
Quanto ao financiamento para energia limpa, este continua a crescer. O apoio dos membros em 2025 foi de US$ 5,6 bilhões (R$ 30 bilhões), 28% acima da média anual de 2019–2021. No entanto, o aumento ainda é insuficiente para compensar as reduções no apoio aos combustíveis fósseis. Um exemplo disso é que os países do G20 que não fazem parte da CETP aumentaram o financiamento para energia limpa em 36% no mesmo período.
As economias emergentes e em desenvolvimento também precisam de mais apoio, destaca o relatório. Elas receberam apenas 24% do financiamento para energia limpa dos seus membros em 2025, em comparação com 71% dos países desenvolvidos.
Para evitar retrocessos e consolidar o progresso da CETP, o documento apela aos membros para que mantenham as restrições ao financiamento de combustíveis fósseis, eliminem gradualmente os subsídios domésticos a esses combustíveis e expandam o financiamento de energia limpa sem contrair dívidas insustentáveis. Exorta também à cooperação para partilhar os riscos de investimento e garantir que cada membro tenha a sua justa parte no financiamento da mitigação, da adaptação e de perdas e danos, por meio de novos financiamentos públicos previsíveis, principalmente subvenções.
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