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October 28, 2026
Clima

Fiocruz: mudanças climáticas já causam aumento de doenças infecciosas no Brasil – ClimaInfo

  • Outubro 28, 2026
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Fiocruz: mudanças climáticas já causam aumento de doenças infecciosas no Brasil – ClimaInfo
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Alterações no clima já estão ampliando a área de transmissão da dengue no Brasil, e febre do Oropouche também avança provavelmente pela mesma causa.

26 de outubro de 2026

fiocruz dengue doenças infecciosas
Fiocruz / Divulgação

Resumo

  • Mudança climática derruba a “barreira natural” do Sul contra a dengue: a Fiocruz aponta que a maior frequência de anomalias térmicas é o indicador climático que melhor explica o aumento da incidência de dengue no longo prazo. O Rio Grande do Sul, que só teve um caso não importado em 2007, registrou em 2024 quase 210 mil infecções e 281 mortes, mais que a Bahia (cerca de 163 mil casos e 188 óbitos).
  • Doença avança também para o Centro-Oeste: de 2006 a 2024, as microrregiões em nível epidêmico passaram de 110 para 292, o que equivale a 54% do território. O Aedes aegypti se reproduz entre 18°C e 33°C, e invernos mais quentes mantêm seu ciclo ativo o ano todo. No Sul, o verão já tem cerca de 10 dias por mês com anomalias térmicas.
  • Dengue avança no mundo, e Oropouche se expande no Brasil: o infectologista Celso Granato vê no espalhamento da dengue uma das maiores provas do impacto climático sobre doenças infecciosas — os EUA vivem o maior surto de sua história, e França e Itália tiveram casos autóctones. A febre do Oropouche, restrita à Amazônia até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado em 23 estados e no DF.
  • Com a proximidade do verão, aumenta a preocupação com a dengue no Brasil. O país registra surtos comprovados da doença desde a década de 1980. Mas somente em 2007 o Rio Grande do Sul teve um caso que não foi importado de outra parte do país. A explicação é simples: como o mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, vive melhor em regiões quentes e úmidas, o clima funcionava como uma barreira de proteção para o estado.

    Essa defesa natural, porém, ficou no passado por culpa das mudanças climáticas, mostra um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa identificou que a maior frequência de anomalias térmicas é o indicador climático que explica melhor o aumento das taxas de incidência de dengue no longo prazo, informam CNN Brasil, UOL, Amazonas Atual e Rádio Itatiaia. Um padrão já identificado também com outras doenças infecciosas, como a febre do Oropouche.

    Em 2024, ano em que o Brasil registrou um número recorde de casos de dengue, o Rio Grande do Sul teve quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes. Na Bahia, estado com temperaturas mais elevadas e 3 milhões de habitantes a mais, os casos confirmados foram cerca de 163 mil, com 188 óbitos, aponta o estudo.

    Mas a expansão não ocorreu apenas no Rio Grande do Sul. De 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue mais do que dobrou, de 110 para 292, em uma extensão territorial que representa metade do país (54%). Além do Sul, a Fiocruz apontou uma transmissão progressiva de dengue em direção ao Centro-Oeste, outra região do Brasil que, historicamente, também tinha menor proliferação do Aedes aegypti.

    O resultado dessa mudança é a crise climática. O mosquito se reproduz em faixas de temperatura entre 18°C e 33°C. A Região Sul e áreas de planalto registravam médias de inverno abaixo de 18°C, que funcionavam como uma “barreira geográfica” natural contra o vetor. No entanto, o aumento das temperaturas acima desse padrão passou a manter o ciclo do mosquito ativo o ano todo, permitindo a sustentação continuada da doença.

    O aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor também se apresenta como o acelerador do ciclo reprodutivo do vírus. O Sul, que antes apresentava baixa frequência desse fenômeno, passou a ter 10 dias por mês com anomalias térmicas.

    Segundo o infectologista Celso Granato, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, a expansão da dengue é uma das maiores provas de como as mudanças climáticas podem incidir sobre as doenças infecciosas. Afinal, a dengue avança também em países do Hemisfério Norte, antes “imunes” à doença. Neste momento, a região continental dos Estados Unidos vive o maior surto de dengue da sua história. Casos autóctones também foram registrados neste ano na França e na Itália.

    Mas a dengue não é a única doença infecciosa afetada pelas mudanças climáticas. A febre do Oropouche, que circulava quase que exclusivamente na Amazônia até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado em 23 estados e no Distrito Federal, destaca a Agência Brasil. A relação com o clima ainda está sendo investigada, mas especialistas acreditam que mudanças nos padrões de temperatura e chuvas, em conjunto com a degradação ambiental, tenham contribuído para a expansão da doença.

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