ONU pede ação urgente e antecipada para proteger vulneráveis do “Super El Niño” – ClimaInfo
A ONU pediu uma ação urgente, “antecipada e coordenada”, para proteger as pessoas mais expostas às consequências do El Niño, que já é classificado como muito forte e continua ganhando força. Na 4ª feira (21/10), a Organização Meteorológica Mundial (OMM) atualizou suas projeções sobre o fenômeno, afirmando que ele pode ser “sem precedentes em intensidade”, em um nível nunca antes visto.
“Não podemos impedir o El Niño, mas podemos sim prevenir muitas de suas consequências humanas mais graves”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. A especialista fez esse chamado juntamente com o chefe de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, informa o UOL.
Fletcher anunciou ter mobilizado mais de US$ 50 milhões (R$ 250 milhões) por meio do Fundo Central de Resposta a Emergências da Oficina de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) para ajudar 11 países na linha de frente, entre eles Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul. Também instou países, bancos de desenvolvimento e instituições financeiras a liberar financiamento “antes que ocorram os danos, e não depois”.
“Somália, Etiópia e Quênia precisam de recursos e suprimentos antes da chegada das fortes chuvas. O sul da África precisa de sementes e gado antes do fim dos períodos de plantio e de preparação agrícola. A América Central precisa de ajuda imediata para preservar os meios de subsistência, enquanto a Ásia e o Pacífico devem se preparar para enfrentar secas, inundações e ciclones”, acrescentou Fletcher.
A mais recente Atualização Global do Clima Sazonal da OMM prevê que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical, o epicentro do El Niño, podem subir 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, atingindo o pico em dezembro, segundo a Reuters. Celeste Saulo ressaltou que eventos climáticos extremos que já estão acontecendo devem “se multiplicar e se espalhar, à medida que o El Niño se intensifica”, destaca a ONU News.
“Nunca registramos um índice de 3,8. Já vimos índices em torno de 3 em alguns El Niños recordes anteriores, com impactos muito significativos em todo o mundo. Portanto, ultrapassamos esse limite”, explicou a secretária-geral da OMM.








