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October 20, 2026
Clima

Seca associada ao El Niño deixa Amazônia mais propensa a incêndios, diz NASA – ClimaInfo

  • Outubro 20, 2026
  • 5 min read
Seca associada ao El Niño deixa Amazônia mais propensa a incêndios, diz NASA – ClimaInfo

19 de outubro de 2026

queimadas Amazônia
Marizilda Cruppe / Greenpeace

Resumo

  • Risco de temporada longa e severa de incêndios na Amazônia: a NASA reforçou o alerta de cientistas de que o “Super El Niño”, que pode ser o mais forte já registrado, deixa a Amazônia ainda mais propensa a incêndios. Há ainda o temor de que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL), conhecido pelo desprezo à conservação ambiental, agrave o quadro de incêndios florestais na região.
  • Satélites da NASA detectam “cascata” de fogo nos trópicos: em setembro, a agência identificou um aumento acentuado de chamas e fumaça na Amazônia central e oriental, das florestas ao redor de Manaus e Santarém até a foz do rio Amazonas. Segundo Douglas Morton, do Centro de Voos Espaciais Goddard, o fenômeno integra uma “cascata” que começa com a seca e os incêndios em turfeiras da Indonésia e chega a esta parte da Amazônia, padrão descrito em estudo de 2017 e repetido em 2023.
  • Intensificação da prevenção e do combate às chamas: pesquisadora da EMBRAPA e coordenadora do Capoeira, Joice Ferreira explica que os registros atuais estão muito abaixo dos de 2024, ano de seca extrema, e um pouco acima dos de 2025, mas 2026 soma o “Super El Niño”, que deixa a região ainda mais seca e quente. Por isso, ela defende manter e reforçar as medidas de prevenção e combate às chamas, como o governo federal vem fazendo.
  • O verão amazônico, que ocorre no segundo semestre do ano, é marcado pela redução das chuvas, pela baixa dos níveis dos rios e pelo calor intenso. Com a seca, a Floresta Amazônica fica vulnerável a incêndios, a maior parte deles, se não todos, de origem criminosa, já que se trata de uma floresta úmida, que dificilmente pega fogo espontaneamente.

    Mas a NASA reforçou, na semana passada, um alerta que cientistas vêm fazendo há alguns meses. Com o “Super El Niño”, que continua ganhando força e pode ser o mais forte já registrado, a Amazônia fica ainda mais propensa a incêndios florestais, destaca a Folha.

    Por isso, a possibilidade do bioma enfrentar uma longa e severa temporada de incêndios é cada vez maior. Ainda mais se Flávio Bolsonaro (PL) for eleito presidente da República, já que não é segredo seu desprezo pela conservação ambiental. Suspeita-se, inclusive, que seus apoiadores já estariam ateando fogo à floresta, mesmo antes do resultado do segundo turno (leia mais aqui).

    A temporada de incêndios teve um início brutal na Floresta Amazônica, lembra o Gizmodo. Os satélites da NASA detectaram em setembro um aumento acentuado nas chamas e na emissão de fumaça na Amazônia central e oriental. A região afetada pelo fogo se estende das florestas ao redor das cidades brasileiras de Manaus e Santarém até a foz do rio Amazonas.

    Os incêndios em torno de Santarém e Manaus fazem parte de uma “cascata” de fogo nos trópicos que acompanha os padrões de chuva alterados pelo El Niño, afirmou Douglas Morton, cientista do sistema terrestre do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA. O padrão começa ao longo da linha do Equador, com a seca e os incêndios em turfeiras na Indonésia, seguidos de um aumento da atividade de incêndios nesta parte da Amazônia.

    Morton e seus colegas da Universidade da Califórnia, Irvine; da Universidade Livre de Amsterdã; e da Universidade de Maryland detalharam o padrão em um estudo de 2017, após a temporada de incêndios devastadora que acompanhou o El Niño de 2015-2016. Eles também observaram o padrão se repetir em 2023, quando o fenômeno ocorreu novamente.

    Assim, em anos mais secos, como o esperado para 2026 em razão do El Niño, a tendência é de aumento dos incêndios, explica a pesquisadora da EMBRAPA e coordenadora do Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia (Capoeira), Joice Ferreira. Joice é uma das referências no estudo dos impactos do fogo na Amazônia e nas estratégias de recuperação, destaca o Amazônia Vox.

    Mesmo assim, a especialista reforça que os registros de fogo atuais estão muito abaixo dos observados em 2024, embora estejam um pouco acima dos de 2025. Para ela, a comparação com o ano de seca extrema de 2024 é especialmente importante para contextualizar os dados mais recentes, já que 2026 tem o adicional de um “Super El Niño”, que deixa a região ainda mais seca e com temperaturas mais altas.

    Por isso, Joice reforça a necessidade de intensificar as medidas de prevenção e combate às chamas, como o governo federal vem fazendo nas últimas semanas. “Temos que continuar com as medidas para evitar que os incêndios aumentem, porque se espera que, em um ano seco, eles aumentem”, alertou.

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