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October 9, 2026
Clima

Ação climática é tão urgente quanto gastos com defesa, diz presidente da COP31 – ClimaInfo

  • Outubro 9, 2026
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Ação climática é tão urgente quanto gastos com defesa, diz presidente da COP31 – ClimaInfo
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Murat Kurum ressalta que o limite de 1,5°C para o aquecimento global é “questão de sobrevivência”; Turquia e Austrália prometem ambição na COP31.

8 de outubro de 2026

ação climática presidente cop31
European Union, 2026, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Resumo

  • Encerramento da Pré-COP e apelo pelo limite de 1,5°C: a Pré-COP terminou em Fiji com promessas de ambição por parte dos anfitriões da COP31, Turquia e Austrália. O presidente designado, Murat Kurum, afirmou que os dois países buscarão resultados que mantenham vivo o limite de 1,5°C do Acordo de Paris, tratado por ele como “questão de sobrevivência”. A fala reforça o objetivo dos pequenos países insulares do Pacífico de mostrar ao mundo o desafio existencial que enfrentam, sobretudo com a elevação do nível do mar, e de cobrar mais apoio financeiro e tecnológico para adaptação.
  • Financiamento climático e urgência: Kurum defendeu avanços no financiamento para mitigação e adaptação e pediu que esses esforços tenham a mesma urgência dos gastos militares, questionando a utilidade de investir 5% em defesa sem ter um país para viver. Segundo ele, hoje “todos estão fugindo da responsabilidade”, e não há tempo a perder.
  • Estratégia para Antália e o tema dos fósseis: Turquia e Austrália confirmaram que trabalharão em uma decisão de capa (cover decision), um texto “guarda-chuva” liderado pela presidência dupla, nos moldes do que o Brasil buscou na COP30, para focar os negociadores nos pontos centrais e facilitar o consenso. A estratégia deve deixar de lado, ao menos inicialmente, os combustíveis fósseis, e a chance de o tema voltar à mesa é baixa, com o Mapa do Caminho Global da Presidência da COP30 como uma das poucas brechas para incluí-lo.
  • A Pré-COP terminou na 5ª feira (8/10) em Fiji com promessas de ambição por parte dos anfitriões da COP31, Turquia e Austrália, e apelos por mais entendimento e consenso entre os negociadores. O presidente designado da COP, o ministro turco Murat Kurum, ressaltou que os dois países buscarão resultados que mantenham vivo o limite de 1,5oC para o aquecimento global, como definido pelo Acordo de Paris.

    “Hoje vivemos um momento em que todos estão fugindo da responsabilidade. Não temos um minuto, um dia sequer a perder”, disse Murat em coletiva de imprensa em Fiji, citado pela Reuters. “Essa meta de 1,5oC é uma questão de sobrevivência. A sobrevivência das culturas, da história, da memória, da sua pátria e dos seus lares.”

    A fala reforça um dos objetivos mais importantes dos pequenos países insulares do Pacífico na organização da Pré-COP: mostrar ao resto do mundo o desafio existencial das mudanças climáticas em seus territórios. O aumento do nível do mar é uma das principais ameaças a essas nações-ilha, que reivindicam mais apoio financeiro e tecnológico dos países desenvolvidos para construir resiliência e se adaptar aos efeitos da crise climática.

    Murat defendeu avanços no financiamento da ação climática e que os esforços dos países para apoiar a mitigação e a adaptação sejam tratados com a mesma urgência dos gastos com a defesa militar. “De que adianta gastar 5% em defesa se você não tem um país para viver? De que adianta defendê-lo?”, questionou o presidente-designado da COP31, segundo a Bloomberg.

    Sobre a conferência do clima em Antália, no mês que vem, Turquia e Austrália confirmaram que trabalharão em uma decisão de capa (cover decision), um texto “guarda-chuva” para concentrar a atenção dos negociadores nos pontos mais relevantes e facilitar a construção de consenso. A ideia é que a presidência dupla — turcos com o comando da COP31 em si, e australianos com as negociações — lidere esse esforço, similar ao que o Brasil buscou na COP30 no ano passado.

    “Acreditamos que uma decisão liderada pela presidência nos dá a melhor chance de alcançar um resultado forte e ambicioso na COP31. Para enviar o sinal de que precisamos seguir a ciência e manter o limite de 1,5oC ao nosso alcance, mesmo diante das evidências científicas de que iremos ultrapassá-lo, precisamos fazê-lo pelo menor tempo possível”, afirmou o ministro australiano Chris Bowen, presidente das negociações da COP, citado pela AFP.

    Essa estratégia deve deixar de lado, ao menos inicialmente, um dos principais pontos de divergência entre os países: os combustíveis fósseis. Depois de um avanço inesperado em Belém, no ano passado, quando o Brasil liderou a defesa de um mapa do caminho para além dos combustíveis fósseis, a perspectiva de que o tema volte à mesa em Antália é baixa, segundo a AFP. A entrega do Mapa do Caminho Global, desenvolvido pela presidência da COP30, pode ser uma das poucas oportunidades de inserir o tema nos debates oficiais.

    • Em tempo: A lacuna de financiamento climático internacional aumentou após o governo alemão reduzir o montante de recursos destinados a apoiar projetos de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento. Segundo a Bloomberg, os gastos orçamentários da maior economia da Europa para financiamento climático caíram de € 6,1 bilhões (R$ 34,37 bi) em 2024 para € 4,75 bilhões (R$ 26,76 bi) em 2025. Assim, o valor destinado à ação climática no ano passado está abaixo da meta assumida pela própria Alemanha de alocar pelo menos 6 bilhões de euros por ano para esse fim.

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