Nova projeção estende duração do “Super El Niño” até o outono de 2027 – ClimaInfo
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Nova atualização do modelo climático europeu, feita pelo ECMWF, reforça o cenário de excepcional persistência do atual episódio do fenômeno.
6 de outubro de 2026

Resumo
Não é só com as consequências do El Niño mais forte dos últimos 80 anos, impulsionadas pelas mudanças climáticas, que o próximo presidente da República e o recém-eleito Congresso brasileiro — o pior desde a redemocratização do país, em 1985 — terão de lidar. O “Super El Niño”, que continua ganhando força, deve durar mais tempo do que o previsto até o momento.
Uma nova projeção do modelo de clima europeu, atualizada no início de outubro pelo European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), prolonga o El Niño de intensidade muito forte até o outono de 2027, destaca o MetSul. A atualização reforça um cenário de persistência excepcional do episódio atual do fenômeno.
A rodada do SEAS5, sistema de previsão sazonal do ECMWF, iniciada em 1º de outubro, projeta que o aquecimento do Pacífico Equatorial seguirá em níveis extremamente elevados durante todo o verão do Hemisfério Sul e continuará muito forte pelo menos até o outono de 2027. A previsão baseia-se na anomalia de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, uma das principais áreas do oceano Pacífico utilizadas para monitorar a evolução do fenômeno.
Já o Niño Costeiro — aquecimento das águas do Pacífico Leste nas costas do Peru e do Equador, que costuma ser mais fraco do que os Niños registrados na área central do oceano — atingiu uma intensidade absurdamente forte no começo deste mês, com anomalias de temperatura da superfície do mar jamais observadas nos registros modernos da região, informam MetSul e Veja. O El Niño de 2026 é um Niño Costeiro, mas tem força superior à dos Niños Centrais.
Segundo dados divulgados na 2ª feira (5/10) pela Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), a anomalia de temperatura da superfície do mar atingiu +5,3°C na chamada região Niño 1+2, considerando o índice tradicional de monitoramento ONI (Índice Oceânico Niño). Essa região é utilizada para monitorar o El Niño Costeiro.
Enquanto o “Super El Niño” ganha mais força — e duração —, o governo brasileiro promove mais ações para tentar mitigar os danos à agropecuária, um dos setores econômicos mais sensíveis a eventos climáticos extremos. Uma das novidades é a criação de uma página oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para orientar produtores rurais e pecuaristas sobre os possíveis impactos do fenômeno, segundo Veja e O Tempo. A iniciativa centraliza dados climáticos, ferramentas de prevenção e informações sobre o acesso ao crédito e ao seguro rural. Além disso, o MAPA criou um núcleo permanente de gestão de riscos para fortalecer a resiliência da produção frente a oscilações futuras.
Em outra frente, a EMBRAPA elaborou orientações diferentes para produtores rurais das cinco regiões do país, já que o El Niño costuma provocar secas no Norte e no Nordeste, excesso de chuva no Sul e calor acima do normal no Centro-Sul. A instituição recomenda acompanhar continuamente as previsões climáticas, utilizar informações oficiais e manter as estruturas de água, solo e alimentação animal preparadas, detalha a CNN Brasil.
Entre as principais medidas indicadas pela EMBRAPA estão o uso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), a escolha de cultivares adaptadas, o escalonamento da semeadura e o planejamento de reservas de água e forragem. As estratégias, no entanto, variam conforme o risco climático e a cultura produzida.
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