Eleições 2026: especialistas fazem alerta sobre o clima e o meio ambiente – ClimaInfo
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Vitórias da extrema-direita no Congresso e risco de um presidente negacionista ameaçam políticas e objetivos climáticos do Brasil.
6 de outubro de 2026

Resumo
O futuro da ação climática e da proteção ambiental está ameaçado após a eleição de domingo (4/10), que resultou na vitória expressiva de partidos de extrema-direita no Congresso Nacional e na liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. O que torna ainda mais crucial reverter este último resultado no segundo turno, em 25 de outubro, evitando a chegada do negacionismo climático e ambiental à Presidência da República.
Apesar do estrago na Câmara e no Senado, a preocupação com o Planalto é totalmente procedente. Afinal, avanços conquistados nos últimos anos na agenda de meio ambiente e clima correm risco de serem desperdiçados por um possível governo negacionista, vitaminado por um Legislativo dominado pelos lobbies do agronegócio e da indústria de combustíveis fósseis.
“Estamos em um momento em que há um risco muito grande de manutenção ou aumento do número de políticos eleitos negacionistas em relação às mudanças climáticas”, alertou Carlos Nobre, climatologista, professor da Universidade de São Paulo (USP) e copresidente do Painel Científico para a Amazônia, no Valor. “Políticos que apoiam a contínua expansão do agronegócio, o aumento do desmatamento e baixos investimentos na adaptação aos eventos climáticos extremos.”
Nobre lembra que a atual legislatura do Congresso, controlada por uma coalizão de extremistas de direita e partidos fisiológicos do Centrão, já cometeu retrocessos que poderão custar caro ao futuro do Brasil. Entre eles estão a flexibilização do licenciamento ambiental e as restrições à fiscalização ambiental remota por satélite.
Com um Legislativo ainda mais extremista a partir de fevereiro, o risco é de que esses retrocessos não apenas continuem, mas se aprofundem, desmontando completamente a política ambiental brasileira. “Se isso continuar, o Brasil irá na contramão, e nossos biomas estarão em risco”, pontuou o professor.
A Amazônia é uma grande preocupação em um eventual governo de extrema-direita. Apesar dos avanços recentes no combate ao desmatamento, ainda há muito a ser feito para proteger a floresta e suas populações, especialmente contra a ação do crime organizado. Além das rotas do tráfico internacional de drogas, esses grupos também atuam em crimes ambientais, como o garimpo e a extração ilegal de madeira.
“O caminho [para combater o crime organizado na Amazônia] é cooperação interinstitucional, inteligência, combate à corrupção e asfixia das finanças ilícitas. A militarização não ataca a raiz do problema e pode fragilizar nossa soberania. Isso significa consolidar o que já funciona em comando e controle e fechar brechas existentes”, destacou Ilona Szabó, presidente do Instituto Igarapé, no Valor.
A proteção da Amazônia é crucial não apenas para os compromissos e objetivos climáticos do Brasil, mas também para o resto do planeta. Um eventual governo de extrema-direita, alinhado aos interesses dos setores mais retrógrados do agronegócio brasileiro, pode ser a pá de cal para os esforços de evitar o colapso da maior floresta tropical do planeta.
“[É importante] afastar a Amazônia do ponto de não retorno. Sem conservar a floresta, restaurar áreas e proteger Povos Originários, colocamos em risco a segurança hídrica, energética, alimentar e sanitária do Brasil e das Américas, e o equilíbrio climático do planeta”, assinalou Ilona.
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Em tempo 1: Inimiga declarada (e raivosa) da agenda climática e ambiental, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também conseguiu um bom resultado nas eleições para o Congresso. Segundo o Estadão, o grupo conseguiu reeleger 185 deputados e senadores na votação de domingo, garantindo a manutenção de 2/3 da atual bancada. Os ruralistas ganharam mais espaço no Senado: das 54 cadeiras em disputa, 24 foram conquistadas por candidatos do grupo. Ao todo, sem novas adesões, a bancada da FPA mantém pelo menos 40 cadeiras no Senado. Na Câmara, a expectativa é de que os ruralistas tenham cerca de 330 deputados.
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Em tempo 2: Os ruralistas são grandes, mas não estarão livres de pressão. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) elegeu oito representantes para o Legislativo no domingo — quatro deputados federais e quatro estaduais, todos do PT. Para a Câmara, foram reeleitos Valmir Assunção (BA), Marcon (RS) e João Daniel (SE); Rosa Amorim (PE), que era deputada estadual, tornou-se a primeira mulher sem terra a chegar ao Legislativo federal. Já nas assembleias legislativas, o MST reelegeu Adão Pretto Filho (RS), Marina do MST (RJ) e Missias (CE), além de eleger Camilo Daniel (SE) para seu primeiro mandato como deputado estadual.
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Em tempo 3: Flávio Bolsonaro e seus aliados gostam de usar o governo do presidente Javier Milei na Argentina como um “exemplo” das mudanças que pretendem fazer caso o candidato do PL seja eleito. A presidente da Caixa no governo do pai de Flávio, Daniella Marques, principal assessora econômica do candidato e cotada como “Posto Ipiranga” da vez, já citou Milei como “um ótimo exemplo”, especialmente no que tange à desregulamentação econômica. No entanto, com pobreza crescente e mais gente com fome, a Argentina não deveria ser inspiração. Além disso, o Guardian destaca protestos da população contra a proposta do governo Milei de permitir a venda irrestrita de terras a estrangeiros, como medida para atrair investidores internacionais ao país. Para grupos sociais e populações indígenas argentinas, a proposta representa mais um ataque do líder libertário aos direitos dos Povos Tradicionais, cujas terras são as mais visadas por compradores estrangeiros.
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