Aquecimento de oceanos atinge o maior nível já registrado, indica relatório – ClimaInfo
1 de outubro de 2026

Resumo
Os oceanos estão passando por transformações profundas impulsionadas pela crise climática, com as águas ficando cada vez mais quentes e ácidas. Somente em 2025, as águas oceânicas absorveram cerca de 23 zettajoules (23 sextilhões de joules) de calor, quase 40 vezes toda a energia consumida pela Humanidade no ano passado — o maior nível já registrado.
Os dados são da 10ª edição do relatório sobre o estado global dos oceanos, do serviço Copernicus, da União Europeia. O documento sistematiza as transformações observadas nos oceanos nas últimas décadas, com base em informações de satélite, medições realizadas diretamente no mar e modelos científicos, e conta com a participação de 125 pesquisadores de diferentes países.
O panorama das transformações é surpreendente. Desde 1999, o nível do mar subiu cerca de 3,8 mm por ano, com uma taxa mais rápida de 4,2 mm por ano entre 2012 e 2025. Nos últimos 40 anos, os oceanos ficaram 17% mais ácidos por conta da absorção de um terço do dióxido de carbono emitido pela Humanidade e de cerca de 90% do calor extra que a poluição por gases de efeito estufa reteve no sistema terrestre.
À medida que o oceano absorve mais calor, os efeitos se propagam por todo o sistema marinho. Águas mais quentes alimentam ondas de calor marinhas e podem intensificar tempestades, perturbar ecossistemas e contribuir para a elevação do nível do mar por meio da expansão térmica e do derretimento do gelo terrestre. O relatório reforça que essas tendências não são isoladas, mas sim consequências interconectadas do aquecimento oceânico, cada vez mais visíveis em mares regionais e comunidades costeiras ao redor do mundo.
“O oceano está se transformando diante de nossos olhos”, disse Pierre Bahurel, diretor-geral da Mercator Ocean International, responsável pelo desenvolvimento do relatório, ao Guardian. “O aquecimento global, a elevação do nível do mar e a degradação dos ecossistemas são sinais interligados de mudanças significativas e de longo prazo.”
Um exemplo disso é a Europa. Em 2024, os mares Mediterrâneo e Negro sofreram ondas de calor marinhas recordes, algumas com duração superior a 30 dias e temperaturas mais de 4,6oC acima da média. No Mediterrâneo Ocidental, houve uma aceleração da elevação do nível do mar, com aquecimento de 0,32oC por década, o que vem intensificando as ondas de calor. Mares mais quentes geram mais tormentas e, como consequência, mais ameaças às comunidades costeiras, como foi o caso da tempestade Louis, que gerou ondas superiores a 8 metros em partes da costa atlântica da Espanha em fevereiro de 2024.
O relatório também documentou danos extensos à vida marinha decorrentes do calor. Entre janeiro de 2023 e setembro de 2025, 84% dos recifes de coral do mundo sofreram estresse térmico em níveis capazes de causar branqueamento. Nas últimas três décadas, quase 5% do oceano apresentou mudanças persistentes nos padrões de crescimento do fitoplâncton, que sustentam as cadeias alimentares e regulam os fluxos de carbono.
“O aquecimento e outras mudanças no oceano têm impactos amplos sobre as pessoas e o planeta, incluindo a elevação do nível do mar, alterações nos padrões do tempo e ameaças aos ecossistemas marinhos”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), citada pelo g1.
AFP, CNN, Correio Braziliense, Financial Times, Folha, Oceanographic Magazine e UOL também repercutiram o relatório.
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