Alemanha lança roteiro para eliminar combustíveis fósseis até 2045 – ClimaInfo
25 de setembro de 2026

Resumo
O governo da Alemanha divulgou na 4ª feira (23/9) seu “mapa do caminho” para eliminar gradualmente o consumo de combustíveis fósseis no país até 2045. O plano aposta na expansão da geração de energia a partir de fontes renováveis, especialmente a solar, e na eletrificação dos transportes.
O roteiro alemão inclui o aumento da geração de energia renovável de 55% para 80% da matriz elétrica até 2030, com mais de 12 GW de geração eólica onshore e 215 GW de energia solar. O fim do consumo de carvão, previsto para 2038, poderá ser antecipado para 2035.
Já as emissões de metano, um dos gases de efeito estufa mais potentes, devem ser reduzidas em 30% até 2030. Outra meta alemã é que os carros elétricos a bateria representem 100% dos novos registros de carros de passageiros até 2035.
“Nosso roteiro tem o objetivo de servir de exemplo internacional. Tenho certeza de que muitos outros países o seguirão”, afirmou o ministro alemão do meio ambiente, Carsten Schneider, durante o evento de Alto Nível sobre clima na Assembleia Geral da ONU, em Nova York (EUA). Ele também destacou que a crise nos preços do petróleo, causada pela guerra no Oriente Médio, reforçou a importância de buscar caminhos para superar a dependência de combustíveis fósseis.
“É inaceitável que a situação no Estreito de Ormuz determine se as pessoas ainda poderão arcar com o custo do seu deslocamento diário. Precisamos superar nossa dependência de combustíveis fósseis, e podemos. Com este roteiro, apresentamos não apenas uma estratégia climática, mas também uma estratégia de política econômica”, disse Schneider, citado pela eixos.
O “mapa do caminho” da Alemanha foi bem recebido por ambientalistas e especialistas. Ao Guardian, Andreas Sieber, da 350.org, afirmou que o plano representa uma “mudança notável” ao tornar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis um objetivo político explícito. Por outro lado, ele alertou que parte do governo do primeiro-ministro Friedrich Merz, em especial o Ministério da Economia e Energia, segue pressionando por um maior uso de gás fóssil na economia alemã.
“Com este anúncio, a Alemanha está dando um sinal de vida na política climática internacional”, opinou Mira Jäger, especialista em energia do Greenpeace alemão, à DW. Mas ela pontuou que “ao mesmo tempo, o governo federal está subsidiando a indústria petrolífera, freando a transição para [sistemas de] calefação mais eficiente e desacelerando a expansão das energias renováveis”.
A ex-enviada especial da Alemanha para o clima, Jennifer Morgan, também saudou o plano do país para eliminar os combustíveis fósseis, mas ressaltou a importância de ações concretas e com resultados claros para avançar nesse caminho. “Acelerar o fim do carvão, petróleo e gás em prol das energias renováveis reforça a independência energética e protege os consumidores de choques de preços em um momento crítico”, afirmou, citada pela Euronews.
Bloomberg, Climate Home, Euractiv e Reuters também repercutiram a notícia.
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Em tempo: O Reino Unido anunciou um pacote de 330 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 2,26 bilhões) para enfrentar os crescentes riscos globais de segurança representados pelas mudanças climáticas e pela perda da natureza. Os recursos serão destinados ao Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, sigla em inglês), o principal instrumento multilateral de apoio financeiro à proteção ambiental. O ministro britânico do exterior, Ed Miliband, também aproveitou um encontro com representantes governamentais durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York para apresentar os resultados de um relatório de inteligência que explora os impactos da crise climática e do colapso ambiental sobre a segurança global. Guardian e Reuters deram mais informações.
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