Fumaça em Manaus atinge pior nível do ano após recorde de calor na cidade – ClimaInfo
O dia de ontem (23/9) em Manaus foi marcado por uma densa nuvem de fumaça que cobriu os céus da capital do Amazonas. Os índices de poluição do ar ultrapassaram o limite máximo da escala de medição do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Entre as 12 estações de monitoramento mantidas pela instituição, oito indicavam qualidade do ar péssima no começo da manhã, com índices de concentração de poluentes que superavam 200 microgramas por metro cúbico (µg/m³) — faixa que representa risco sério à saúde pública.
Segundo o g1, o bairro Distrito Industrial I, na zona sul de Manaus, registrou concentração de partículas no ar de 587 µg/m³ por volta das 5h15. Já no Parque Dez, na zona centro-sul, o índice chegou a 267,5 µg/m³. Na Compensa, na zona oeste manauara, a concentração era de 219 µg/m³ no mesmo período. Outros municípios da região metropolitana da capital amazonense também registraram altos níveis de poluição do ar na manhã de 4ª feira. Em Autazes, a concentração de poluentes chegou a 576 µg/m³.
Com o ar extremamente poluído, a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus orientou a população a evitar exposição ao ar livre, especialmente de crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas. O uso de máscaras, como a N95, também foi recomendado para reduzir a inalação de partículas. As autoridades também alertaram para sinais de risco de doenças decorrentes da poluição, como tosse seca, irritação ou dor de garganta, ardência e lacrimejamento dos olhos, além de dor de cabeça, falta de ar e piora das crises de asma.
Como destaca A Crítica, a piora na qualidade do ar em Manaus acompanha a escalada dos incêndios no Amazonas. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indicam que o Amazonas acumulou 773 focos em 48 horas, entre 21 e 22 de setembro. Segundo o Amazônia Plural, o número coloca o estado praticamente no mesmo patamar do Pará, que registrou 797 ocorrências nesse período. Juntos, Amazonas e Pará concentraram 1.570 focos detectados nessas 48 horas.
O agregado de 2026 no Amazonas também é motivo de preocupação. O estado contabilizou mais de 5,2 mil focos de incêndio desde janeiro, um número 15% acima do total registrado em todo o ano de 2025 (4,5 mil focos). O Sul amazonense concentra a maior parte das ocorrências, com destaque para Apuí, que registra 944 focos — o terceiro maior índice nacional, atrás apenas de Altamira, no Pará (1.241), e de Lagoa da Confusão, no Tocantins (1.032).
A fumaça intensifica o mal-estar da população de Manaus devido ao clima nos últimos dias. Na 3ª feira (22/9), a cidade registrou temperaturas acima dos 38°C pela primeira vez neste ano.
O calor intenso ocorre durante a estiagem na Amazônia, quando há menos chuvas e maior incidência de radiação solar. As altas temperaturas também refletem o El Niño que ganha força no Pacífico equatorial e que costuma favorecer o tempo quente e seco na maior parte da região, detalha o g1.









