Sete limites planetários já ultrapassados pioram e chegam a pior nível já registrado – ClimaInfo
22 de setembro de 2026

Resumo
Dos nove limites planetários que ajudam a determinar se a vida pode prosperar na Terra, sete já foram ultrapassados devido às ações humanas. Mas o cenário é ainda pior do que se pensava, já que todas as fronteiras ultrapassadas atingiram os maiores níveis de transgressão já registrados.
É o que mostra o relatório “Planetary Health Check 2026”, lançado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK) na 2ª feira (21/9), na Semana do Clima de Nova York. O documento, elaborado por mais de 60 cientistas do Laboratório de Ciência dos Limites Planetários do PIK, alerta para o risco crescente de mudanças de “grande escala, persistentes e potencialmente irreversíveis”, destaca a Exame.
Os sete principais indicadores na zona de perigo incluem mudanças climáticas, alterações na integridade da biosfera, mudanças no sistema terrestre, alterações na água doce, modificação dos fluxos biogeoquímicos, introdução de novas entidades e acidificação dos oceanos — limite ultrapassado pela primeira vez no ano passado, lembra o Guardian. Apenas dois limites — a depleção do ozônio estratosférico e a concentração de aerossóis atmosféricos — melhoraram na última década, embora os pesquisadores alertem que os aerossóis poluentes continuam a ser um problema em várias regiões do mundo.
“O diagnóstico é inequívoco: a pressão está aumentando em todos os limites planetários, já fora da zona de segurança”, disse Boris Sakschewski, principal autor do relatório. “Isso significa que o risco de mudanças em larga escala, persistentes e potencialmente irreversíveis, está aumentando, enquanto nossa margem de erro para lidar com esses problemas está diminuindo”, completou.
Além da piora nos limites já ultrapassados, o relatório dedica seções especiais a três temas críticos: o enfraquecimento dos sumidouros de carbono terrestres, a integridade do leito marinho e a poluição química, lista o Observatório do Clima. Em relação aos sumidouros de carbono, o documento chama a atenção para os sinais de estagnação na capacidade das florestas e dos solos florestais de absorver CO2, com destaque para a Amazônia, considerada um dos componentes vitais mais vulneráveis do sistema terrestre.
Segundo o relatório, o risco da Floresta Amazônica — citada 36 vezes ao longo do documento — atingir o ponto de não retorno, com consequente savanização, é iminente. “Além de uma catástrofe ecológica, perder a Amazônia seria uma ferida moral: um sinal de que permitimos que um dos grandes mundos vivos da Terra desaparecesse sob nossos cuidados”, diz o cientista brasileiro Carlos Nobre, que assina o prefácio da edição de 2026 do relatório do PIK.
O tempo para reverter esse cenário, que se torna cada vez mais crítico, está cada vez mais curto. No entanto, a humanidade ainda possui o conhecimento e a capacidade de virar essa chave, reforça o cientista climático Johan Rockström, diretor do instituto e coautor do relatório. “Acelerar as ações para retornar a um espaço operacional seguro em todos os limites planetários é essencial para proteger vidas e meios de subsistência e cumprir a promessa de uma prosperidade futura compartilhada”, afirmou.
g1, Ecodebate, IHU, Euronews, Correio Braziliense, CBN, Down to Earth, Inside Climate News também repercutiram o novo relatório sobre os limites planetários.
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