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September 22, 2026
Clima

Assembleia da ONU ocorre com mundo sob guerras e choques climáticos – ClimaInfo

  • Setembro 22, 2026
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Assembleia da ONU ocorre com mundo sob guerras e choques climáticos – ClimaInfo
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Líderes se reúnem em Nova York em meio a instabilidades geopolíticas e incerteza sobre os efeitos do El Niño sobre o clima global.

21 de setembro de 2026

assembleia geral da onu
Patrick Gruban / UN General Assembly Flickr

Resumo

  • Assembleia Geral em meio a crises simultâneas: a Assembleia Geral da ONU começa nesta 3ª feira (22/9) em um dos cenários mais difíceis dos 81 anos da instituição. As guerras na Ucrânia, em Gaza e no Irã alimentam a frustração com o multilateralismo, e a falta de resposta efetiva da ONU a crimes de guerra reforça as críticas. Além disso, a crise climática, com ondas de calor, incêndios na Europa e a tragédia no Nepal, tende a se agravar com um dos El Niños mais intensos da história, ameaçando a segurança alimentar e hídrica.
  • Pressão dos EUA e incertezas sobre o futuro da ONU: o governo Trump segue atacando regimes multilaterais, cortando o financiamento da ONU e de suas entidades e reiniciou a guerra comercial que atingiu a Organização Mundial do Comércio (OMC). O projeto do “Conselho da Paz” de Trump é visto por alguns analistas como uma tentativa de esvaziar a ONU. Além disso, o mandato de António Guterres termina no fim do ano e o Conselho de Segurança não chegou a um consenso sobre o sucessor. Michelle Bachelet, um dos nomes mais promissores em clima, saiu da disputa por falta de apoio, e diplomatas europeus temem o surgimento de um azarão apoiado pelos EUA.
  • Em defesa do multilateralismo: o presidente Lula, que abre os discursos hoje, publicou um artigo no Financial Times, juntamente com outros líderes, propondo a iniciativa “Partners for Multilateralism” (P4M), com apoio de União Europeia, Canadá e Quênia, para renovar o sistema multilateral, com foco em clima, inteligência artificial e saúde pública.
  • A Assembleia Geral da ONU se inicia nesta 3ª feira (22/9) em um dos cenários mais desafiadores em 81 anos da instituição. O mundo sente os reflexos de crises simultâneas, como as guerras na Ucrânia, em Gaza e no Irã, que espalharam frustração e desconfiança sobre o papel do multilateralismo, e os impactos das mudanças climáticas, que ganham ainda mais urgência com a chegada de um dos El Niños mais intensos da história.

    AP, Guardian e Financial Times traçam um panorama geral dos desafios que confrontarão a ONU e os líderes internacionais que participarão do encontro em Nova York. Os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, iniciados em fevereiro, fizeram disparar os preços globais do petróleo e do gás, encarecendo ainda mais os custos de energia. A incerteza sobre o futuro do conflito – e o vai-e-vem de acordos de paz seguidos por novos ataques – coloca em xeque qualquer expectativa de normalização do mercado global de combustíveis fósseis.

    O conflito no Golfo Pérsico intensificou o mal-estar causado por outras duas guerras com poucos sinais promissores de fim: a invasão da Ucrânia pela Rússia e a destruição imposta por Israel contra os palestinos na Faixa de Gaza. A falta de resposta efetiva da ONU aos sucessivos crimes de guerra reforçou as críticas à organização.

    A ONU também sofre com a pressão antidiplomática de Donald Trump. Além da ofensiva de Washington contra regimes multilaterais dentro da organização, como o da Convenção sobre Mudanças Climáticas, o governo estadunidense segue cortando o financiamento às atividades da ONU e de suas entidades, o que restringe ainda mais sua capacidade de ação. Isso sem falar na guerra comercial reiniciada por Trump no ano passado, que atingiu em cheio o regime da Organização Mundial do Comércio (OMC), e o projeto ainda pouco claro do tal “Conselho da Paz”, visto por alguns analistas como uma tentativa de esvaziar a própria ONU.

    Ao mesmo tempo, o momento para essa sucessão de crises geopolíticas não poderia ser pior. As mudanças climáticas se intensificam, com eventos extremos nos últimos meses em praticamente todos os continentes, como as ondas de calor e os incêndios na Europa e as enxurradas no Nepal. Um cenário que deve piorar nos próximos meses com a intensificação do El Niño dos mais potentes já registrados – com efeitos potenciais que devem prejudicar ainda mais a segurança alimentar e hídrica.

    Cerca de 130 chefes de Estado e de governo devem discursar no segmento de alto nível, com destaque para os presidentes Lula (Brasil), Donald Trump (EUA), Emmanuel Macron (França), Volodymyr Zelenskyy (Ucrânia) e Masoud Pezeshkian (Irã), além do primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, não participará. Já o presidente da China, Xi Jinping, até irá aos EUA nesta semana, mas para uma visita oficial à Casa Branca, sem passar pela ONU.

    Além de todos esses problemas, a entidade enfrenta um momento de incerteza sobre seu comando: o mandato do secretário-geral, António Guterres, termina no final do ano, e os membros do Conselho de Segurança ainda não chegaram a um consenso sobre o nome de seu sucessor. No Guardian, Steve Bloomfield assinala que as opções em discussão não devem representar um avanço para a ONU no tema de meio ambiente e mudanças climáticas.

    Um dos nomes mais promissores nessa área, o da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, acabou saindo do páreo na semana passada, por falta de apoio político. Entre os que restam, a ex-ministra de Relações Exteriores da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, e a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, são bem-vistas, mas com pouco entusiasmo. Diplomatas europeus temem que um possível azarão, com apoio dos EUA, possa surgir nas próximas semanas e bagunçar ainda mais a disputa.

    Ainda sobre a Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula deve abrir os discursos oficiais com uma fala em defesa do multilateralismo, em linha com o artigo assinado por ele e outros líderes internacionais e publicado no Financial Times no domingo (20/9). O texto propõe uma nova iniciativa, “Partners for Multilateralism” (P4M), com apoio dos países da União Europeia, do Canadá e do Quênia, e reforça a importância da cooperação em temas como mudanças climáticas, inteligência artificial e saúde pública.

    “A iniciativa P4M busca renovar e fortalecer o sistema multilateral, não substituí-lo; construir pontes e unir países que podem discordar em muitas questões, mas que compartilham o compromisso com os princípios básicos consagrados na Carta da ONU”, diz o artigo, assinado por Lula e pelos presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e do Quênia, William Ruto, e pelo premiê do Canadá, Mark Carney e destacado por Agência Brasil, CNN Brasil, DW, Folha, g1 e SBT.

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