Cacique Raoni é diagnosticado com câncer e recebe cuidados paliativos – ClimaInfo
- Notícias
Maior líder indígena brasileiro, que representou os Povos Originários na posse de Lula, é cuidado por uma equipe de saúde e por pajés.
16 de setembro de 2026

Resumo
Há quase quatro anos, o cacique Raoni Metuktire protagonizou uma cena histórica. Raoni subiu a rampa do Palácio do Planalto de braços dados com o presidente democraticamente eleito Luiz Inácio Lula da Silva no dia de sua posse, em 1º de janeiro de 2023, representando os Povos Indígenas do Brasil.
Nesta semana, o Instituto Raoni informou que o cacique, de 94 anos, uma das principais lideranças indígenas do Brasil e referência mundial na defesa dos Povos Indígenas, dos territórios e da floresta, enfrenta um câncer no aparelho digestivo e está sob cuidados paliativos. Raoni está em uma casa da família em Peixoto de Azevedo, município de Mato Grosso mais próximo da Terra Indígena Capoto/Jarina, onde Raoni nasceu e passou boa parte da vida, lembra a Sumaúma.
“É importante esclarecer que cuidados paliativos não significam abandono de tratamento e tampouco que ‘não há mais nada a fazer’. Pelo contrário: trata-se de uma mudança no foco da assistência. O objetivo passa a ser controlar a dor e outros sintomas, reduzir desconfortos, preservar a autonomia possível, garantir alimentação e hidratação adequadas, prevenir complicações, oferecer acompanhamento médico e de enfermagem e proporcionar a melhor qualidade de vida possível”, explica o instituto, em nota.
“No caso de Raoni, a decisão também considera a importância de permanecer próximo de sua família e de seu Povo. A possibilidade de estar em casa, cercado por parentes, falando sua língua, recebendo a presença de pessoas próximas e mantendo suas referências culturais faz parte do cuidado”, completa.
Ao longo deste ano, Raoni passou por internações, exames e agravamentos no quadro de saúde. Em junho, foi transferido de emergência para São Paulo após apresentar uma grave obstrução intestinal causada pelo tumor. Em seguida, passou por uma gastroenteroanastomose no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), procedimento que criou uma nova passagem para permitir o trânsito dos alimentos e melhorar as condições de alimentação e de conforto.
Exames realizados posteriormente confirmaram o diagnóstico de adenocarcinoma pouco diferenciado. Segundo o Instituto Raoni, diante da idade, das condições clínicas e dos riscos associados a tratamentos mais agressivos, as equipes médicas recomendaram cuidados paliativos.
Os cuidados com a saúde de Raoni vão além da medicina tradicional. “Durante os momentos mais delicados de sua doença, recebeu a presença e os cuidados de diferentes pajés de sua confiança e dos espíritos da mata e de ancestrais, com os quais, por ser um pajé e uma pessoa altamente espiritualizada, tem contato permanente. Esses cuidados acompanham a assistência médica o tempo todo, criando um contexto de atenção intercultural e intermedicalidade, especialmente em períodos em que seu estado de saúde apresentou riscos importantes à sua vida”, destaca o instituto.
No domingo (13/9), a Sumaúma publicou um tributo a Raoni. A série de artigos, artes, fotografias e quadrinhos documenta a dimensão do maior líder indígena do país e o legado de sua vida.
O estado de saúde do cacique Raoni foi amplamente divulgado pela imprensa, com matérias em Estadão, Correio Braziliense, Revista Fórum, Folha PE, Correio do Povo, Agência Brasil, CNN Brasil, Carta Capital, UOL, O Globo e g1, entre outros.
- Povos Indígenas
- Raoni Metkuri
- Terras Indígenas









