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September 16, 2026
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Terras Indígenas são os territórios mais impactados por garimpo ilegal na Amazônia – ClimaInfo

  • Setembro 16, 2026
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Terras Indígenas são os territórios mais impactados por garimpo ilegal na Amazônia – ClimaInfo
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Levantamento do IPAM indica aumento de 562% da área ocupada pelo garimpo ilegal em territórios indígenas na Amazônia entre 2016 e 2024.

16 de setembro de 2026

garimpo ilegal Terra Sararé violência
Destruição na Terra Indígena Sararé pelo garimpo © Fábio Bispo / Greenpeace

Resumo

  • Explosão do garimpo em Terras Indígenas: entre 2016 e 2024, a área de garimpo ilegal em TIs da Amazônia cresceu 562%, tornando-as a categoria fundiária mais impactada pela mineração ilegal. Entre 1985 e 2024, a área garimpada nessas terras aumentou 24 vezes, e cerca de 40% dos garimpos fora das TIs ficam a menos de 50 km de seus limites, com 147 territórios situados em bacias hidrográficas afetadas por contaminação por mercúrio e desmatamento.
  • Riscos compostos do garimpo e El Niño: as TIs Kayapó, Munduruku e Yanomami concentram quase 90% da área garimpada em territórios indígenas, e os municípios ligados a elas registraram 188 desastres climáticos entre 2000 e 2024. O IPAM aponta que a combinação de garimpo e extremos climáticos — os chamados “riscos compostos” — amplifica os impactos, comprometendo a água, a alimentação e a capacidade de resposta das comunidades.
  • Recomendações: o estudo propõe seis medidas prioritárias, como fiscalização ambiental, rastreabilidade do ouro, planos de adaptação indígena e monitoramento comunitário de água, mercúrio, fogo e saúde, e defende um enfrentamento integrado às ameaças.
  • A explosão do garimpo ilegal na Amazônia na última década aconteceu às custas das Terras Indígenas (TIs). Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) mostra que a área ocupada pela atividade nos territórios indígenas cresceu 562% entre 2016 e 2024, o que torna as TIs a categoria fundiária mais impactada pela expansão da mineração ilegal na região.

    Segundo a análise do IPAM, a área garimpada na Amazônia Legal aumentou 20 vezes entre 1985 e 2024. Já nas TIs amazônicas, o crescimento foi de 24 vezes, de 1,5 mil hectares para mais de 36 mil hectares.

    Os territórios indígenas não sofrem apenas com o garimpo em suas áreas. Cerca de 40% dos garimpos localizados fora de TIs estão a menos de 50 quilômetros de seus limites.

    Atualmente, 19 territórios indígenas registram atividade ilegal de garimpo. Ao mesmo tempo, 147 deles — 37% do total de territórios indígenas na Amazônia — estão inseridos em bacias hidrográficas impactadas pela atividade garimpeira, com contaminação por mercúrio e desmatamento.

    A nota técnica do IPAM também assinala a convergência de ameaças do garimpo ilegal e do El Niño na Amazônia Legal. Essa sobreposição caracteriza os chamados “riscos compostos”, em que diferentes ameaças interagem e ampliam seus efeitos.

    Isso é evidente nas áreas que mais sofrem com a extração ilegal de ouro: as TIs Kayapó, Munduruku e Yanomami, que juntas concentram quase 90% de toda a área garimpada em territórios indígenas. Os municípios associados a essas TIs registraram, em conjunto, 188 extremos climáticos entre 2000 e 2024.

    “Quando garimpo e extremos climáticos atingem os mesmos territórios, seus impactos se potencializam. Uma seca já compromete a mobilidade, o acesso à água e a produção de alimentos. Se esse mesmo sistema hídrico também está sob pressão do garimpo, a combinação desses fatores influencia a capacidade de resposta das comunidades. Por isso, essas ameaças precisam ser enfrentadas de forma integrada”, explicou Ray Pinheiro Alves, pesquisador do IPAM e um dos autores da nota técnica.

    O Globo destaca seis recomendações prioritárias do IPAM em resposta aos impactos das mudanças climáticas e do garimpo ilegal na Amazônia. Além da fiscalização ambiental e de medidas de adaptação, as recomendações incluem a rastreabilidade do ouro, a implementação de planos de adaptação indígena e de sistemas de monitoramento comunitário de água, mercúrio, fogo e saúde.

    • Em tempo 1: A Polícia Federal e o ICMBio inutilizaram 11 dragas utilizadas pelo garimpo ilegal durante a Operação Pirá’ákãg, na Estação Ecológica Juami-Japurá, no interior do Amazonas. Segundo a PF, os agentes federais também apreenderam ou destruíram três rebocadores de metal, três botes de alumínio, três motores de popa, duas embarcações, além de lanchas, motores a diesel, geradores de energia e quase 50 mil litros de combustível. A operação também resultou em três autos de infração ambiental, com multas que somam mais de R$ 1,6 milhão, informam 18 Horas, A Crítica, BNC Amazonas e g1.

    • Em tempo 2: O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública para responsabilizar dez pessoas pela extração ilegal de cassiterita e ouro na TI Yanomami, em Roraima, com pedido de indenização de mais de R$ 1,7 bilhão. Entre os réus estão a White Solder Metalurgia e Mineração, a Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin), a Cataratas Poços Artesianos e a Tarp Táxi Aéreo. A extração de minérios teria ocorrido na região do Pupunha, na bacia do rio Mucajaí, entre março de 2021 e dezembro de 2022. O MPF também pede a condenação dos réus e a recuperação das áreas degradadas pela atividade garimpeira, além da adoção de medidas emergenciais para assegurar o controle da origem do minério, segundo Carta Capital, g1 e Veja.

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