Pacífico atinge temperatura de “Super El Niño”, indica NOAA – ClimaInfo
Dados do Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) divulgados na 2ª feira (14/9) mostram que a anomalia relativa da temperatura da superfície do oceano Pacífico na região Niño 3.4, de monitoramento do fenômeno, alcançou +2°C pela primeira vez neste ano. Com isso, o El Niño iniciado em junho entrou no limiar da categoria “muito forte” — ou seja, um “super” El Niño.
Oficialmente, a intensidade do El Niño é definida por uma média trimestral, e não semanal. Em agosto, o aumento da temperatura da superfície do mar (TSM) se manteve estável, em 1,8°C. No entanto, chegou a 2°C no dia 9 de setembro, o que fez desta a primeira semana do fenômeno na categoria “muito forte”.
Com base em uma série histórica do El Niño a partir de setembro de 1981, uma análise da Meteored destaca que o evento de 2026 está praticamente empatado com o de 1997. Naquele ano, o limiar de +2°C na região Niño 3.4 foi alcançado na semana centrada em 3 de setembro.
O Meteored destaca que, se forem considerados os dados de anomalias absolutas de TSM — o índice ONI (Oceanic Niño Index), que não desconta o aquecimento geral dos oceanos tropicais, como faz o índice RONI (Relative Oceanic Niño Index), criado pela NOAA em fevereiro deste ano —, o aquecimento no Niño 3.4 é ainda mais excepcional. Pelo ONI, o aumento da temperatura chegou a 2,9°C na última semana, de acordo com os dados da agência climática estadunidense.
Segundo meteorologistas ouvidos pela Folha, os temporais que castigam Paraná e São Paulo há vários dias já são resultado do El Niño. Os problemas começaram na 4ª feira passada (no mesmo dia em que o aumento da temperatura no Pacífico atingiu 2°C), quando fortes chuvas atingiram o Paraná, provocando cheias em rios que cortam a região do Vale do Ribeira. Houve destruição de redes de abastecimento de água e de energia, além de interdições em rodovias. Quase 2,5 mil pessoas precisaram deixar suas casas em todo o estado, e houve pelo menos quatro mortes.
No lado paulista, as cidades do Vale do Ribeira são as mais atingidas, onde 152 famílias tiveram de deixar suas casas e comércios com receio das enchentes que assolam a região. Dez das 22 cidades da região estão entre as que mais receberam chuva nas últimas 72 horas, conforme boletim da Defesa Civil divulgado na 2ª feira (14/9). O rio Ribeira de Iguape subiu cerca de 12 metros desde o início das chuvas.
Também na segunda-feira, a capital paulista registrou o setembro mais chuvoso em mais de 80 anos, totalizando 253,8 milímetros em apenas 14 dias do mês, segundo a CNN Brasil. As chuvas provocaram alagamentos e quedas de árvores na Grande São Paulo, e um homem de 33 anos desapareceu após ser arrastado por uma enxurrada no sábado (12/9), em Jandira.







