Aquecimento de oceanos dificulta recuperação dos recifes de coral – ClimaInfo
- Notícias
Aumento da temperatura da água e mais ocorrências de ondas de calor marinho pressionam corais, que têm menos tempo para se recuperar.
1 de setembro de 2026

Resumo
Os recifes de coral estão sofrendo eventos de branqueamento com uma frequência tão alta que não têm mais tempo para se recuperar antes do próximo. Essa é uma das conclusões de um estudo global divulgado nesta semana sobre a situação dos recifes de coral, atores cruciais para o ecossistema marinho, mas que estão entre os mais ameaçados pelos efeitos das mudanças climáticas nos oceanos.
O relatório da Rede Global de Monitoramento de Recifes de Coral (GCRMN, sigla em Inglês) baseou-se em mais de 40 anos de dados coletados em quase 37 mil recifes de coral em 120 países e territórios. Segundo a análise, os recifes de coral sofreram uma redução de 9,5% entre 2020 e 2024 em comparação com o período de 1980 a 2009. O maior declínio de corais já verificado em um único ano, que afetou 87% dos recifes em todo o mundo, ocorreu em 2024 – o ano mais quente já registrado.
O declínio dos corais está diretamente associado às águas oceânicas mais quentes e à ocorrência mais frequente de ondas de calor marinhas. O aquecimento da água estressa os corais, que perdem as algas simbióticas necessárias à sua sobrevivência – ou seja, ficam brancos. Historicamente, eventos globais de branqueamento de corais ocorriam a cada década. Desde 2010, no entanto, isso tem ocorrido a cada quatro a seis anos.
“Os recifes de coral levam bastante tempo para se recuperar. Estamos falando de décadas para que eles recuperem de fato o que perderam”, observou Manuel Gonzalez-Rivero, pesquisador do Instituto Australiano de Ciências Marinhas e principal autor do relatório, ao New York Times. Para ele, as conclusões do estudo são “alarmantes e graves”, pois indicam um cenário de colapso desses ecossistemas em algumas regiões.
A análise considerou dados de 10 regiões de recifes de coral. Os declínios mais significativos foram observados em quatro delas – Austrália (-11%), Pacífico Oriental (-18%), Caribe (-43%) e a área que vai do Golfo Pérsico ao Mar Arábico (-48,7%). No Pacífico Tropical Oriental, na costa do Brasil e nos Mares do Leste Asiático, não foram identificadas variações significativas. Já no Sul da Ásia e no Índico Ocidental, houve um crescimento de 16,2% e 31%, respectivamente, nos recifes de coral.
“Esse declínio mostra que estamos perdendo grandes porções de coral na maioria dos recifes de coral do mundo – e isso está associado às mudanças climáticas”, ressaltou Emily Darling, diretora de recifes de coral da Wildlife Conservation Society, à CBC.
O pior é que a situação pode ser ainda mais grave do que mostra o relatório, já que ele não considerou os dados coletados em 2025, que ainda sofria os efeitos do aquecimento do ano anterior. Agora, a iminência de um “Super El Niño” está deixando especialistas preocupados com a perspectiva de mais um evento global de branqueamento de corais no ano que vem.
“Precisamos agir agora para deter esse declínio e investir em soluções que reduzam as pressões e aumentem a resiliência”, destacou David Obura, presidente da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), à Reuters. “A demora em agir pode resultar em perdas irreversíveis”, completou.
Al Jazeera, Down to Earth, Folha, Oceanographic Magazine e Revista Amazônia também repercutiram o relatório.
-
Em tempo: As perdas expressivas de recifes de coral não são suficientes para impedir o tráfico internacional de corais. Uma análise da Mongabay, com base em dados da organização TRAFFIC, identificou mais de 1,3 mil incidentes de comercialização ilegal de corais em 43 países no período de 2000 a 2025. A estimativa é de que ao menos 3,15 milhões de peças de coral tenham sido traficadas e comercializadas ilegalmente nesse período.
- aquecimento oceanos
- branqueamento corais
- corais
- El Niño









