Com Brent a US$ 95 o barril, mercado se preocupa com choque maior – ClimaInfo
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EUA e Irã sinalizaram que não estão prontos para retomar as negociações após intensificarem os ataques na 2ª semana de confrontos renovados.
22 de julho de 2026

Resumo
Em meio aos novos ataques entre os Estados Unidos e o Irã, os contratos futuros do petróleo fecharam novamente em alta consistente na 4ª feira (22/7). O óleo tipo Brent, referência mundial, chegou a superar a marca de US$ 95 por barril durante parte do pregão. Mas, com os dois países não dando qualquer sinal de recuo, o temor de uma nova escalada de preços ganha força no mercado financeiro.
No fechamento da sessão, o Brent com vencimento em setembro teve alta de 3,36%, cotado a US$ 94,07 por barril. O WTI, referência dos EUA, com entrega prevista para o mesmo mês, subiu 2,95%, cotado a US$ 86,83 por barril, detalha o Valor.
EUA e Irã sinalizaram que não estão prontos para retornar à mesa de negociações após a segunda semana de confrontos renovados, segundo a Bloomberg. Voltando à sua metralhadora verbal giratória, o presidente estadunidense prometeu atacar pontes e usinas de energia iranianas caso Teerã continue a atacar embarcações no Estreito de Ormuz, informa a Reuters.
O comando militar conjunto do Irã alertou que se a ameaça de Trump contra a infraestrutura se concretizar, as forças iranianas atacarão a infraestrutura regional de petróleo, gás, eletricidade e economia, e não permitirão a exportação de “uma única gota de petróleo”. “Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho. Qualquer agressão contra o Irã, incluindo nossa infraestrutura, exigirá uma resposta forte e decisiva”, disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.
Ormuz permanece fechado, comprometendo a normalização do fluxo de combustíveis fósseis no Golfo Pérsico. E o bloqueio do Mar Vermelho pelos Houthis do Iêmen, aliados do Irã, contribui para estrangular ainda mais o fluxo de exportações de petróleo no Oriente Médio e, com isso, pressiona os preços.
Ontem, cinco petroleiros mudaram de rumo no Mar Vermelho para evitar o Estreito de Bab el-Mandeb, um dia após a ameaça dos Houthis. Três navios carregados com petróleo saudita destinado à China e à Índia fizeram o mesmo na 3ª feira.
Com a tensão crescendo e sem qualquer sinal de paz, aumentam as incertezas quanto aos preços do petróleo. O banco Goldman Sachs avaliou que o barril do Brent pode chegar a US$ 120 no último trimestre do ano se o fluxo de petroleiros por Ormuz não se normalizar. Já para o economista Pedro Schneider, do Itaú Unibanco, dificilmente o preço internacional do petróleo permanecerá nos níveis atuais por muito tempo, segundo o Valor. “Ou a guerra vai escalar e ele (o preço) vai piorar; ou a guerra tem uma solução e ele volta a recuar para patamares até mesmo abaixo de US$ 80”, disse.
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Em tempo 1: Os ataques ao Irã já custaram US$ 37,5 bilhões (R$ 190 bilhões) aos cofres públicos dos EUA, informou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. O montante representa um aumento de quase US$ 8 bilhões em relação à estimativa pública anterior, informa o Valor.
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Em tempo 2: Enquanto a população vive a insegurança energética e paga mais pelos combustíveis fósseis, as petrolíferas em todo o mundo continuam ganhando muito com a disparada dos preços provocada pela guerra no Irã. Segundo The Guardian, o lucro da petrolífera estatal norueguesa quase dobrou no 2º trimestre, atingindo US$ 11,5 bilhões (R$ 58,3 bilhões).
A título de comparação, uma única petrolífera lucrou quase um terço do que os EUA gastaram com a guerra no Oriente Médio até agora.
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