Mudanças climáticas ameaçam patrimônio biocultural da Amazônia – ClimaInfo
As sociedades amazônidas usam quase 5,8 mil espécies de plantas, mas as mudanças climáticas podem reduzir as espécies vegetais nativas em um terço, representando um perigo para sua cultura e conhecimento. É o que mostra um estudo publicado na Nature e realizado por Rodrigo Camara-Leret e Jordi Bascompte, da Universidade de Zurique, e Patrick Roehrdanz, do Centro Moore para a Ciência da Conservation International.
Segundo a pesquisa, a redução das plantas de importância cultural, somada à extinção projetada de línguas indígenas, pode resultar na perda de cerca de um quarto do conhecimento documentado sobre os usos de espécies vegetais amazônicas até o fim do século, destacam CNN Brasil, Telesur e phys.org.
Os pesquisadores reuniram mais de 90 mil registros do uso de plantas amazônicas por Povos Indígenas feitos entre 1504 e 2023. A partir da análise desses relatos bibliográficos, também avaliaram a situação das línguas em que os registros foram escritos. Mais da metade dos relatos sobre plantas nativas foi registrada em 156 línguas indígenas, das quais 56% estão ameaçadas de extinção.
Os cientistas ainda modelaram os impactos das mudanças climáticas sobre a distribuição das espécies entre 2060 e 2080 em três cenários: cumprimento das metas climáticas até meados do século; adoção de ações mínimas de mitigação; e sem políticas de intervenção.
As projeções indicam perdas médias locais de espécies vegetais de 28%, 30% e 34%, respectivamente, em cada um dos cenários analisados. Segundo os autores, essas reduções podem ter consequências críticas para as sociedades amazônicas, ao comprometer a biodiversidade.
A Floresta Amazônica é um centro global de patrimônio biológico e cultural, abrigando mais de 10% da biodiversidade terrestre do planeta e mais de 400 grupos indígenas. No entanto, quase 300 milhões de hectares da Bacia Amazônica já foram degradados ou fragmentados, e muitas culturas indígenas e suas línguas estão ameaçadas de extinção, reforça Victoria Reyes-García, pesquisadora da Universidade Autônoma de Barcelona, em um comentário que acompanha o estudo.









