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July 9, 2026
Clima

Litigância climática segue crescendo, mas com novos focos, mostra estudo – ClimaInfo

  • Julho 9, 2026
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Litigância climática segue crescendo, mas com novos focos, mostra estudo – ClimaInfo
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Ações contra “lavagem climática” de governos e empresas continuam majoritários, mas crescem casos sobre remoção de carbono e data centers. 

8 de julho de 2026

mpf leilão de capacidade
PxHere

Resumo

  • Litigância climática bate 3.600 processos no mundo: estudo da LSE registrou 249 novos casos em 2025, elevando o total para mais de 3,6 mil desde 1986, 75% deles na última década. O número de países com ações climáticas saltou de 17 para 62 em dez anos.
  • Novos alvos são remoção de carbono e data centers: além dos casos de “lavagem climática”, crescem ações contra projetos de captura e armazenamento de carbono e data centers. No Reino Unido, uma ação forçou o governo a reconhecer seu erro ao aprovar um centro de dados sem avaliação de impacto ambiental.
  • Brasil em destaque: com 354 processos, o país é a segunda jurisdição mais ativa fora dos EUA. O diferencial brasileiro está nas ações baseadas no princípio do poluidor-pagador, 249 casos, impulsionadas pela capacidade da Justiça de converter impactos climáticos em valores monetários de reparação.
  • Os tribunais se tornaram uma importante via para pressão por ações contra a crise do clima nos países, com a litigância climática mantendo sua trajetória de crescimento desde o Acordo de Paris, em 2015. Um estudo divulgado pela London School of Economics (LSE) mostra que 249 novos casos foram registrados em 2025, elevando o total para mais de 3,6 mil processos desde 1986 – mais de 75% deles instaurados na última década. 

    O Relatório Anual de Tendências em Litígios Climáticos, publicado pelo Instituto de Pesquisa Graham sobre Mudanças Climáticas e Meio Ambiente e pela Escola Global de Sustentabilidade da LSE, indica que mais países entraram no “clube” da litigância climática, com os primeiros registros de ações judiciais no Cazaquistão, Granada, Guatemala, Malásia, Singapura e Zâmbia. No total, 62 nações contam com processos relacionados ao clima, ante 17 há uma década.

    Os Estados Unidos seguem sendo a jurisdição com o maior número de casos, com novas 151 ações judiciais apresentadas no ano passado, elevando o total no país para mais de 2 mil processos. Outras jurisdições também registravam números substanciais de ações ao final de 2025, como Brasil (354), Austrália (193), Reino Unido (156) e Alemanha (121).

    Os casos de “lavagem climática”, que contestam narrativas imprecisas de governos ou empresas sobre ação climática e transição energética, seguem sendo o tipo mais comum de litígio relacionado ao clima. No entanto, o ritmo de novas ações deste tipo diminuiu no último ano.

    Em compensação, as atenções dos reclamantes começam a se voltar para outros temas, especialmente na indústria. Como a eixos destaca, um dos temas de atenção é a captura e o armazenamento de carbono, o CCS, aclamado pelas petrolíferas como “a” solução para conter as mudanças climáticas, apesar de ser cara e não ter eficácia comprovada.

    Nos EUA, por exemplo, o estudo assinalou litígios relacionados a projetos de dutos para transporte de dióxido de carbono e de iniciativas para armazená-lo em formações geológicas subterrâneas. Muitos dos casos foram apresentados por proprietários de terra preocupados com os riscos dessa tecnologia e com potenciais restrições às suas propriedades.

    Outro foco de novas ações judiciais sobre clima são os data centers, que se tornaram a nova febre das big techs para sustentar a expansão do uso de inteligência artificial. O relatório cita um caso de 2020 no Chile, no qual os autores da ação questionaram os impactos que um novo centro de dados teria sobre o abastecimento hídrico na região de Santiago.

    O caso mais recente ocorreu no Reino Unido, onde os reclamantes contestaram a instalação de um grande data center em Buckinghamshire, na região da Grande Londres. A ação levou o próprio governo britânico a reconhecer que errou ao permitir o empreendimento sem análise de seus impactos ambientais.

    O Brasil tem destaque na análise da LSE, especialmente em ações baseadas no princípio do poluidor-pagador, que concentram 249 das 354 ações registradas no país. Os autores do estudo afirmam que o país avançou bastante depois que a Justiça passou a aplicar critérios formais para converter impactos climáticos em valores monetários de reparação.

    Business Green e E&E News também repercutiram o estudo da LSE sobre litigância climática.

    • Em tempo: Quatro agricultores de Uganda ingressaram com uma ação no Tribunal Superior de Londres, no Reino Unido, contra uma empresa britânica que está no centro de um polêmico oleoduto no país africano. Orçado em US$ 5 bilhões (R$ 25,8 bilhões), o Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental (EACOP) pretende transportar combustível da Bacia Albertina, em Uganda, até o porto de Tanga, na Tanzânia, e seu desenvolvimento está sendo liderado pela petrolífera francesa TotalEnergies. No entanto, ambientalistas criticam o projeto, destacando seus impactos sobre ecossistemas e comunidades locais, especialmente sobre os recursos hídricos da região. Como a empresa EACOP Ltd. é sediada em Londres, os reclamantes pedem que a Justiça britânica analise o caso, de forma a impedir que o empreendimento entre em operação. Climate Home e Oil Price repercutiram a notícia.

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