Subsídios a combustíveis fósseis chegarão a US$ 1,1 trilhão em 2026 – ClimaInfo
1 de julho de 2026

Resumo
Os efeitos em cascata dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã estão forçando os países em desenvolvimento a esgotar sua margem fiscal com subsídios aos combustíveis fósseis. Embora o movimento esteja evitando a disparada de preços para o consumidor no curto prazo, prejudica investimentos em saúde, educação e clima.
É o que destaca o relatório “Escalada Militar no Oriente Médio: Amortecendo o Choque Global”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Lançado na 2ª feira (29/6), o documento mostra que os países de baixa e média renda protegeram parcialmente suas populações do choque do petróleo provocado pela guerra por meio de subsídios aos combustíveis fósseis, tetos de preços, isenções fiscais e medidas de gestão da demanda.
Por conta disso, os subsídios aos combustíveis fósseis, que estavam em queda, deverão somar US$ 1,1 trilhão neste ano, US$ 410 bilhões a mais do que em 2025, informam Valor e Bloomberg. O valor considera o preço médio do barril de petróleo de US$ 88,60. No entanto, se o conflito perdurar e continuar jogando para cima as cotações, os subsídios aos fósseis pode chegar a US$ 1,43 trilhão, com base num preço médio do barril de US$ 110.
“Os países em desenvolvimento estão fazendo tudo o que podem, mas há um custo oculto. Para lidar com a crise atual, os governos estão adiando os investimentos do futuro. O dinheiro que deveria ser usado para construir escolas, hospitais e sistemas de energia limpa está sendo utilizado simplesmente para manter as economias à tona. Sem apoio internacional, esses países não escaparão do choque. Eles estão absorvendo-o às custas do crescimento futuro”, afirmou Alexander De Croo, Administrador do PNUD.
Quase metade dos países mais pobres do mundo já estão em endividamento excessivo ou em alto risco de entrar nessa situação, destaca o relatório, e a dívida continua a comprometer os gastos com desenvolvimento a um ritmo crescente. Estima-se que a economia em desenvolvimento mediana gastará 9,5% da receita total do governo apenas com pagamentos de juros neste ano, o dobro da taxa de uma década atrás e o nível mais alto registrado em 25 anos.
Em média, entre 2024 e 2026, estima-se que 55 economias em desenvolvimento pagarão mais de 10% de sua receita em juros. Há uma década, eram 32 países, lembra o PNUD.
“Nenhum país deveria ter que sacrificar seu desenvolvimento futuro para gerenciar uma crise que não criou”, frisou De Croo. “Primeiro, precisamos desbloquear a liquidez multilateral para facilitar o acesso aos países de baixa e média renda. Depois, precisamos acelerar o investimento em energia renovável, que reduz a exposição a choques futuros. A crise deixou uma coisa clara: segurança energética e transição energética não são mais agendas separadas. São uma só”, reforçou.
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Em tempo: Embora a reabertura do Estreito de Ormuz traga alívio imediato aos mercados de petróleo e gás, as economias vulneráveis continuam em risco devido ao aumento prolongado dos custos de alimentos e combustíveis, alerta um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), lançado ontem (30/6). Os sistemas alimentares e de transporte provavelmente levarão mais tempo para se recuperar do que os mercados de energia, já que as cadeias de suprimentos interrompidas precisam de mais tempo para se reestruturarem após mais de 100 dias de grave interrupção no transporte marítimo pela via navegável estratégica, afirma o documento, repercutido por Reuters e Folha.
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