NotíciasAqui a notícia corre
April 26, 2026
Clima

Troca de ministros, disputas e eleições atrasam mapa brasileiro dos combustíveis fósseis – ClimaInfo

  • Abril 24, 2026
  • 4 min read

23 de abril de 2026

lula foz do amazonas
Ricardo Stuckert

As diretrizes para o mapa do caminho brasileiro para o fim dos combustíveis fósseis, encomendadas pelo presidente Lula ao final da COP30, estão atrasadas em mais de dois meses. Fontes ouvidas por O Globo sugerem que, além das divergências internas no governo federal, também pesam para o atraso a recente troca de ministros e a proximidade das eleições. Especialistas dizem que a situação põe em xeque a credibilidade do país, justo quando o Brasil lidera a elaboração do acordo global sobre o tema, via presidência da COP30.

De um lado, os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Fazenda defendem um plano novo, de caráter transversal. Do outro, o ministério de Minas e Energia (MME) quer metas diluídas no Plano Nacional de Energia (PNE) 2055, sob sua alçada. E já tentou escantear o mapa do caminho por meio do Plano Nacional de Transição Energética (Plante) – também coordenado pelo MME, mas que ainda sequer existe no papel.

Um funcionário que participa dos encontros técnicos entre as pastas afirmou que as saídas de Fernando Haddad, Marina Silva e Rui Costa impactaram o “ritmo das discussões”. Miriam Belchior, que sucedeu Costa na Casa Civil, é vista por participantes dos debates como “mais aberta” à agenda climática do que seu antecessor. Mas Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, é o fator mais decisivo para que a discussão siga travada, segundo outro interlocutor envolvido no processo.

Outra divergência entre as pastas está no aumento – ou não – dos investimentos em combustíveis fósseis. O PNE 2055, que prevê cenários do setor energético para os próximos 20 anos, aponta uma forte expansão da demanda e, por isso, aposta em manter investimentos elevados em petróleo e gás. No entanto, o MMA é resistente à essa premissa.

Para Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, um plano que inclua a ampliação de petróleo e gás significa “uma não transição e um não mapa do caminho”. “Não é possível que o país que liderou essa questão na COP30, de repente, abra mão de ter um mapa do caminho nacional crível e sério”, reforça.

Apesar do impasse, Lula segue tentando reforçar sua imagem de líder climático. Na abertura da feira Hannover Messe 2026, na Alemanha, ele voltou a defender o biocombustível brasileiro para descarbonização do transporte pesado, conta a CNN Brasil. O presidente aproveitou a vitrine para rebater restrições europeias ao setor.

Ao primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, Lula afirmou que o mundo “não ficará órfão” sem o petróleo como principal matriz energética e que o país está pronto para “acelerar a descarbonização do transporte e da indústria”, destaca o UOL.

  • Em tempo: Segundo a organização climática Fossil Free Caribe, a expansão da exploração de petróleo na Guiana vem impulsionando novas frentes fósseis em países vizinhos, como Suriname, República Dominicana, Panamá e Honduras, com prejuízos socioambientais crescentes. Enquanto a capital da Guiana, Georgetown, vive um processo de gentrificação e incentiva uma indústria petrolífera com pouco controle ambiental, a promessa de “riqueza” com a extração de petróleo já provocou uma crise de desmatamento e mineração na Floresta Amazônica do Suriname, atingindo Territórios Indígenas. A Guatemala está fechando sua infraestrutura fóssil, mas o maior campo petrolífero do país segue sem um plano adequado de descomissionamento – um desafio que pode se repetir em outros países da América Latina, destaca a Exame.

  • combustíveis fósseis
  • COP30
  • Lula
  • Mapa do Caminho

Continue lendo

Em foco

Desinformação Climática

Aprenda mais sobre

About Author

Celia Mello

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *