Diesel “verde” feito nos EUA tem elo com empresa condenada por desmate – ClimaInfo
A fabricante de biocombustíveis estadunidense Diamond Green Diesel (DGD), que exporta diesel “verde” e combustível sustentável de aviação (SAF) para a Europa, comprou sebo bovino de um fornecedor abastecido por um frigorífico diretamente ligado à criação clandestina de gado na Reserva Extrativista (RESEX) Jaci-Paraná, em Rondônia. É o que mostra uma reportagem da Repórter Brasil.
A exportadora Pacífico de gordura animal tinha como principal fornecedor o frigorífico Distriboi, condenado em 2024 por adquirir animais oriundos da RESEX entre agosto de 2020 e janeiro de 2022. A instalação de pastagens em Jaci-Paraná está associada ao desmatamento de uma área equivalente à do município de São Paulo – cerca de 1.500 km².
Entre 2023 e 2025, a Pacífico exportou quase 15 mil toneladas de sebo bovino para a DGD. Esta, por sua vez, vendeu no mesmo período milhares de toneladas de biodiesel e SAF para a Europa – com destaque para 176 mil toneladas para o Reino Unido em 2024 e 2025, informa a Business Human Rights.
“Se é gado oriundo do crime, da grilagem e do desmatamento ilegal, esse combustível não é verde. É combustível oriundo do crime ambiental. E é assim que tem que ser tratado”, critica Neidinha Suruí, liderança indígena da região que atua na preservação da Amazônia e recebeu um Prêmio Emmy em 2025 pelo documentário “O Território”. “Os prejuízos à biodiversidade foram terríveis!”, lamenta.
Criada em 1996, a RESEX Jaci-Paraná permite apenas atividades de subsistência de comunidades tradicionais, como a de seringueiros e de catadores de castanha e açaí. No entanto, nas últimas duas décadas, extrativistas deixaram seus territórios após sofrerem ameaças de morte. Segundo a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) de Rondônia, em 2024 havia 778 fazendas ilegais de criação de gado na região.









