Países pobres terão 10 vezes mais mortes relacionadas ao calor do que nações ricas – ClimaInfo
Embora o aumento da temperatura seja global, suas consequências variam dramaticamente conforme o nível de riqueza do país. De acordo com uma análise do Climate Impact Lab, países pobres terão 10 vezes mais mortes relacionadas ao calor do que nações ricas até 2050.
Norte de África, Oriente Médio e Sudoeste Asiático são as regiões que terão os maiores aumentos de mortes devido à elevação das temperaturas. Argélia, Paquistão e Níger estão entre os 25 países que mais devem sofrer com a alta dos termômetros, informa a Bloomberg.
O relatório prevê que países vulneráveis assistirão a um aumento nas mortes relacionadas ao calor equivalentes às causadas por doenças comuns atualmente. O Níger, por exemplo, poderá registrar 60 ou mais mortes por ano a cada 100 mil habitantes – uma taxa superior à atual da malária na África. Já o sudeste da Bolívia poderá chegar a 30 pessoas por 100 mil habitantes, valor aproximado da taxa atual de mortes por diabetes. “O fardo é altamente desigual”, afirma Tamma Carleton, professora assistente na Universidade da Califórnia, Berkeley e chefe de investigação do Climate Impact Lab.
Economista da Universidade de Chicago e coautor da análise, Michael Greenstone lembra que “as mortes adicionais ocorrerão em locais que contribuíram muito pouco” para as emissões de gases de efeito estufa. O que escancara, pela milionésima vez, o racismo climático e ambiental.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores reuniram dados locais sobre mortalidade em todo o mundo e sobre temperaturas extremas e criaram um modelo estatístico para analisar os efeitos de eventos climáticos nas taxas de mortalidade nos últimos 20 a 40 anos. Em seguida, combinaram esse modelo com cenários climáticos futuros para estimar qual poderia ser o risco de morte associado ao calor no futuro, explica a Time.
O estudo pressupõe que a economia mundial continuará a crescer e o rendimento adicional permitirá que mais pessoas e governos tenham mais ferramentas para se adaptar, como aparelhos de ar condicionado, centros de refrigeração públicos e edifícios à prova de clima com isolamento. Caso contrário, haverá sete vezes mais mortes relacionadas com a temperatura.
“Essas mortes não precisam ser inevitáveis”, disse Emily Grover-Kopec, coautora do relatório. Para a especialista, os achados fornecem um mapa de onde a política de adaptação e os investimentos podem salvar mais vidas.
Straits Times, The Print e NDTV também falaram sobre o relatório do Climate Impact Lab.








