COP15: população de peixes migratórios de água doce caiu 81% em 50 anos – ClimaInfo
A população de peixes migratórios de água doce está colapsando a um ritmo mais rápido do que o das espécies terrestres, aponta um relatório da ONU, divulgado na 3ª feira (24/3) na COP15 da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias (CMS). Segundo o estudo, desde 1970, a população destes animais caiu em 81%. Na categoria “megapeixes” a queda foi maior, de 94%.
O estudo identificou 349 peixes de água doce que atravessam fronteiras e precisam de algum tipo de proteção, segundo a Folha. Cerca de 24 deles fazem parte da lista da CMS, 97% por estarem ameaçados de extinção. As demais 325 espécies estão, em sua maioria, na Ásia (205), seguidas da América do Sul (55).
Segundo o relatório, fatores como barragens, fragmentação de habitats, poluição, pesca excessiva e mudanças climáticas interrompem rotas migratórias. Isso impede que os peixes completem os ciclos de reprodução e alimentação, informam Campo Grande News e Um Só Planeta.
As bacias Amazônica e do rio da Prata-Paraná se destacam no levantamento como regiões que exigem ações coordenadas entre países. Na Amazônia, foram identificadas 21 espécies que migram entre países e que se beneficiariam de medidas de proteção, destaca o g1.
Entre elas está a dourada, que viaja por 11 mil quilômetros ao longo de sua vida, sendo o maior peixe migrador de água doce do mundo. A espécie está no rol que o Brasil e outros governos pretendem incluir no Plano de Ação Multiespécies para o Bagre Migratório Amazônico.
“Os rios precisam ser gerenciados como sistemas conectados, com coordenação entre fronteiras e investimentos em soluções para toda a bacia agora, antes que essas migrações se percam para sempre”, afirmou Michele Thieme, vice-presidente da WWF nos Estados Unidos. A organização participou da elaboração do relatório, assim como a Universidade de Nevada-Reno.
Além do diagnóstico, o estudo apresenta medidas de cooperação internacional para a preservação dos peixes migratórios. Entre elas estão: harmonizar períodos de defeso durante a desova, no início das cheias; coordenar a proteção de habitats em planícies de inundação (áreas-chave de alimentação); e compartilhar dados de impactos sobre estoques pesqueiros.
Down To Earth, BBC, The Guardian, phys.org e Mongabay India também repercutiram o relatório.









