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November 6, 2026
Clima

Rondônia cancela multa à JBS por gado em área desmatada da Amazônia – ClimaInfo

  • Outubro 10, 2025
  • 3 min read
Rondônia cancela multa à JBS por gado em área desmatada da Amazônia – ClimaInfo

O governo de Rondônia invalidou uma investigação de quatro anos que resultou em condenação e multa de R$ 2 milhões à JBS por compra de gado criado em Unidades de Conservação. Segundo o procurador-geral do estado, Thiago Alencar, a multa foi indevida, pois a operação ocorreu antes de 2022 – quando a legislação punia apenas ações diretas de desmatamento, e não condutas indiretas, como a aquisição de gado de área desmatada feita pela empresa.

Ao todo, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) moveu cerca de 50 ações contra frigoríficos por adquirirem milhares de cabeças de gado de fazendas localizadas na Reserva Extrativista (RESEX) Jaci-Paraná entre 2017 e 2021. Além da JBS, a lista inclui MBRF Global Foods e Minerva. As ações demandam cerca de R$ 690 milhões para restaurar parte dos 150 mil hectares desmatados ilegalmente e para combater crimes ambientais, detalha Fabiano Maisonnave para a Bloomberg.

A decisão anula o parecer do diretor da Procuradoria Ambiental da PGE, Aparício Paixão Ribeiro Júnior. Na avaliação de Ribeiro Júnior, a legislação anterior a 2022 responsabilizava não apenas quem causava o dano ambiental, mas também quem lucrava com ele – caso da JBS.

A anulação da multa expõe a dificuldade da aplicação de penalidades na cadeia da carne, o principal vetor do desmatamento no país. Segundo a InvestNews, a decisão enfraquece as ações judiciais em Rondônia e pode comprometer uma investigação mais ampla já realizada sobre a ligação direta de frigoríficos à criação de gado dentro de UCs na região.

Hoje, os pastos somam 150.000 hectares  na RESEX Jaci-Paraná, uma área do tamanho da cidade de São Paulo onde vivem mais de 200 mil cabeças de gado. A UC deveria ser destinada apenas ao uso sustentável de seringueiros e coletores de castanha. Mas os bois estão dominando a paisagem.

A JBS responde a cinco ações públicas por suposta compra de gado vindo da RESEX, além de ter sido multada 11 vezes por esse motivo. A empresa também coleciona processos em outras áreas, como o envolvimento com trabalho análogo à escravidão.

Segundo a acusação, funcionários terceirizados trabalhavam horas acima do permitido pela legislação e eram submetidos a outras condições degradantes, como alimentação com frangos considerados fora do padrão de qualidade pela própria JBS. Eles também eram forçados a assumir dívidas com o transporte até a propriedade.

No entanto, por uma decisão no mínimo peculiar do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a JBS pode ficar fora da “lista suja” do trabalho escravo. A lista elenca as empresas autuadas por submeter trabalhadores a condições análogas às de escravidão no Brasil.

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