Setor bancário global continua financiando mais fósseis que renováveis – ClimaInfo
Uma nova análise da BloombergNEF constatou que, apesar da emergência climática, o setor bancário continua financiando mais combustíveis fósseis do que fontes renováveis de energia. Para cada dólar alocado em petróleo, gás e carvão, apenas 89 centavos estão sendo investidos em energias de baixo carbono.
O quadro até melhorou em relação a 2021, quando essa distribuição era ainda pior – 75 centavos em energias renováveis para cada dólar desperdiçado em combustíveis fósseis. Mas esse aumento marginal é insuficiente: segundo a BNEF, para que o mundo consiga cumprir o limite de aquecimento global de 1,5oC definido no Acordo de Paris, é necessário que os bancos aloquem quatro vezes mais capital em projetos verdes do que em combustíveis fósseis.
O levantamento também ressalta que os números atuais são de 2024, ou seja, anteriores à volta do negacionista Donald Trump à Casa Branca. Em janeiro deste ano, o presidente dos EUA assinou uma ordem executiva destinada a reativar a indústria de combustíveis fósseis do país.
Apesar do crescente ceticismo do setor quanto à capacidade e à disposição dos governos de atingirem a meta de 1,5°C, a BNEF reconhece que, em 2025, os seis maiores bancos norte-americanos registraram uma queda de 15% nos empréstimos e na subscrição de títulos para petróleo, gás e carvão.
No cenário brasileiro, a tendência é semelhante. O Valor mostra que, mesmo diante da pressão por uma economia de baixo carbono, bancos brasileiros como Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e BTG Pactual continuam financiando setores poluentes como o de combustíveis fósseis, mineração, siderurgia, cimento e agropecuária.
A conta agora inclui novos setores, como os data centers e empresas de tecnologia, que também passam a ocupar espaço na discussão sobre emissões, já que aumentam consideravelmente a demanda por eletricidade e água para suas operações.
Os relatórios anuais dos cinco grandes bancos abordam o tema da descarbonização, mas em diferentes níveis de profundidade. Uma característica comum a todos é a política restritiva de financiamento ao carvão e a projetos em Terras Indígenas ou áreas desmatadas, principalmente no bioma Amazônia.
Mas o agronegócio ainda é o calcanhar de Aquiles dos planos de redução de emissões – responsável por, nada mais, nada menos, que 74% das emissões do país, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
Apesar de regulamentações mais rígidas do Banco Central e exigências de bancos multilaterais e de desenvolvimento para as linhas de crédito, os bancos reconhecem a dificuldade de engajar os setores que mais poluem.









