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July 8, 2026
Clima

Etiópia inaugura maior usina hidrelétrica da África, no Nilo – ClimaInfo

  • Setembro 10, 2025
  • 3 min read
Etiópia inaugura maior usina hidrelétrica da África, no Nilo – ClimaInfo

A Etiópia inaugurou ontem (9/9) a “Grande Barragem do Renascimento” (GERD, sigla em Inglês), no Nilo Azul. A hidrelétrica, a maior infraestrutura do tipo no continente africano, é celebrada pelo governo etíope. Mas gera preocupações em países vizinhos, como Sudão e Egito, envolvendo a segurança hídrica.

A construção da GERD, um projeto de cerca de US$ 5 bilhões, começou em 2011. Com 170 metros de altura e se estendendo por quase 2 km no Nilo Azul, a barragem foi projetada para armazenar 74 bilhões de m3 de água e tem capacidade instalada de 5.150 megawatts (MW). É mais que o dobro da potência elétrica instalada na Etiópia, explica o Guardian.

Para o segundo país mais populoso da África (atrás apenas da Nigéria), onde quase 45% dos 130 milhões de habitantes não têm acesso à eletricidade, a usina pode ser uma “revolução energética”, segundo especialistas. Também envia um sinal importante, pois o país se apresenta como o grande promotor africano dos veículos elétricos e foi a primeira nação do mundo a proibir, no início de 2024, a importação de veículos a combustão, informa a Folha.

O entusiasmo, porém, não é compartilhado pelas nações a jusante (rio abaixo) da imensa usina, segundo O Globo. Egito e Sudão relutam em ver a represa operar sem um acordo vinculante sobre como gerenciar o Nilo, a principal fonte de água doce para mais de 100 milhões de pessoas no continente africano.

O Nilo Azul, um dos dois principais afluentes do Nilo, flui para o norte, em direção às duas nações. A hidrelétrica está a apenas 14 km a leste da fronteira com o Sudão. A barragem de Roseires, no Sudão, a 110 km a depois da GERD, pode ser afetada se a Etiópia liberar grandes vazões de água sem coordenação, relata a Al Jazeera.

Já o Egito, que depende do Nilo para 97% de suas necessidades de água, teme um menor fornecimento durante a seca. O país argumenta que a GERD viola tratados sobre a água que datam da era colonial britânica. O presidente do país, Abdel Fattah al-Sisi, classificou a hidrelétrica como uma “ameaça existencial” e prometeu que o Egito defenderia sua segurança hídrica.France24, AP, DW, BBC, Financial Times, Reuters, CNN e The Economist também noticiaram a inauguração da mega-hidrelétrica na Etiópia.

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Celia Mello

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